Se você já achou caro pagar ingresso para um show, prepare o coração: um simples pedaço de papel pode custar US$ 595 mil, algo em torno de R$ 3,1 milhões.
O motivo? Não é qualquer papel.
Trata-se de um manuscrito original de “Hey Jude”, um dos maiores clássicos dos Beatles, com diversas anotações e alterações feitas à mão por Paul McCartney durante o processo de criação da música.
A peça de 1968 está sendo oferecida pela M.S. Rau, tradicional galeria de Nova Orleans, e representa um registro raro dos bastidores de uma das canções mais conhecidas da história do rock.
É literalmente o tipo de papel em que ninguém pensaria em escrever uma lista de compras.

Imagem: © Apple Corps Ltd
Paul McCartney deixou suas próprias marcas no manuscrito
A folha começou a ser preenchida por Mal Evans, road manager e assistente de estúdio dos Beatles.
Depois, Paul McCartney entrou em cena e acrescentou uma série de observações ao documento. Entre elas estão instruções para o uso de pandeiro, orientações relacionadas aos vocais e mensagens direcionadas aos companheiros Ringo Starr e John Lennon.
Ou seja, o comprador não está levando apenas uma letra famosa para casa. Está levando uma espécie de “rascunho de estúdio” dos Beatles, com o próprio McCartney registrando decisões musicais no papel.
Até o verso final passou por mudança
Uma das partes mais interessantes do manuscrito envolve justamente o encerramento da música.
McCartney alterou a versão do último verso para:
“Remember to let her under your skin, then you’ll begin to make it better.”
A frase acabou sendo mantida na gravação oficial de “Hey Jude”.
É o tipo de detalhe que transforma um manuscrito antigo em uma verdadeira cápsula do tempo do processo criativo dos Beatles.
“Hey Jude” quase assustou as rádios
A história da música começou a ganhar forma durante as sessões dos Beatles em 1968.
O grupo passou parte de julho trabalhando em ensaios e faixas de apoio nos estúdios da EMI. Depois, as gravações foram transferidas para o Trident Studios, onde o equipamento de oito canais ajudou a banda a construir a versão definitiva entre 31 de julho e 2 de agosto.
A música foi lançada ainda em agosto de 1968 e tinha uma característica que poderia causar certo pânico nas emissoras da época: seus impressionantes 7 minutos e 11 segundos de duração.
O produtor George Martin chegou a acreditar que as rádios poderiam rejeitar uma faixa tão longa.
Só que os Beatles aparentemente não estavam muito preocupados em seguir o manual.
Nove semanas no topo da Billboard
A aposta deu muito certo.
“Hey Jude” permaneceu em primeiro lugar da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos, durante nove semanas consecutivas.
A música também bateu recordes comerciais e recebeu certificação de ouro da RIAA.
Nada mal para uma canção que, para os padrões da época, chegava às rádios praticamente com duração de curta-metragem.
Certificado de autenticidade acompanha a peça
Além do manuscrito, o lote colocado à venda inclui uma carta autenticada em cartório, assinada por Craig Inciardi, um dos curadores fundadores do Rock & Roll Hall of Fame.
O documento apresenta informações sobre a procedência das peças e confirma sua autenticidade.
Para colecionadores, esse detalhe é fundamental: afinal, quando o preço chega perto dos US$ 600 mil, ninguém quer comprar uma folha qualquer achando que encontrou um pedaço dos Beatles.
Um rascunho que virou relíquia do rock
A venda oferece a oportunidade de adquirir muito mais do que uma folha associada a uma música famosa.
O manuscrito registra diretamente algumas das decisões, mudanças e ideias de Paul McCartney durante a criação de “Hey Jude”.
É um daqueles objetos em que o valor não está apenas no papel — está no fato de que, décadas atrás, alguém escreveu ali enquanto ajudava a construir uma das músicas mais importantes da história do rock.
E, neste caso, até o rascunho virou item de colecionador. Só não espere pagar preço de papelaria.



