Uma das figuras mais importantes da história do Judas Priest está encerrando sua jornada nos palcos. Ian Hill, baixista que acompanha a banda desde 1970 e único integrante presente em todas as formações do grupo até agora, anunciou sua aposentadoria após mais de 55 anos de carreira com a banda.
A decisão foi anunciada nesta sexta-feira, 9 de outubro, e tem como principal motivo o avanço de um quadro de artrite, que compromete os movimentos do músico e dificulta sua capacidade de tocar.
Para ocupar o posto, o Judas Priest escolheu Davey Rimmer, baixista do Uriah Heep e parceiro do guitarrista Richie Faulkner no projeto Elegant Weapons. Ele já havia substituído Hill durante uma apresentação em Londres, em 21 de setembro.

Imagem: Chiaki Nozu / Wirelmage
Em comunicado, a banda lamentou a saída do músico e destacou a importância de sua contribuição para a história do grupo.
“É com pesar que enviamos esta mensagem pessoal do nosso Ian… ele tem sido a espinha dorsal do Judas Priest por tanto tempo e fará muita falta a todos nós… Desejamos a ele tudo de bom em sua aposentadoria e damos as boas-vindas a Davey à família Priest.”
Artrite, lesões e dificuldades para tocar levaram à decisão
Em um longo pronunciamento, Ian Hill explicou que vinha enfrentando problemas físicos havia alguns anos. O baixista contou que sempre imaginou continuar tocando enquanto suas condições não prejudicassem as apresentações. Agora, porém, reconhece que chegou ao limite.
Segundo o músico, a artrite avançou no ombro esquerdo e na mão direita, além de afetar o ombro direito e os dois joelhos. Para controlar os sintomas, ele vinha recorrendo a analgésicos, géis e aplicações de cortisona.
Mesmo com as limitações, Hill conseguiu gravar as linhas de baixo do próximo álbum do Judas Priest. A preocupação maior surgiu durante a turnê europeia, quando a banda passou a considerar a possibilidade de ele não conseguir completar os shows.
A situação ficou ainda mais complicada pouco antes do bis de uma apresentação em Bruxelas. Dois dias antes do show de Londres, o baixista rompeu um tendão no ombro esquerdo e perdeu a capacidade de levantar o braço o suficiente para alcançar o instrumento.
Foi nesse momento que Davey Rimmer entrou em ação. Com pouco tempo para se preparar, ele assumiu o baixo e, segundo Hill, fez uma apresentação excelente.
“Amo todos vocês”: Ian Hill se despede dos fãs
O baixista também revelou que consultou especialistas sobre a possibilidade de evitar uma cirurgia. Mesmo sem a necessidade de uma intervenção, entretanto, não havia garantia de que recuperaria força suficiente no ombro e no braço para encarar uma apresentação completa.
Além dos problemas de saúde, Hill destacou outro fator importante para sua decisão: o desejo de dedicar mais tempo à família depois de 57 anos colocando a carreira em primeiro plano.
Em seu comunicado, o músico brincou que pretende aproveitar os próximos anos com os familiares antes que alguém precise empurrá-lo em uma cadeira de rodas.
Sobre o sucessor, Hill não economizou elogios. Para ele, Rimmer é um excelente baixista e uma pessoa de caráter, qualidades que devem facilitar sua adaptação à banda.
O músico encerrou a mensagem agradecendo aos fãs pela trajetória construída ao longo de tantas décadas.
“Não passa um dia sequer sem que eu agradeça pela jornada incrível que vivi; só me resta dizer que amo todos vocês e agradecer pela vida que me permitiram viver.”
Uma despedida emocionante de um músico que ajudou a sustentar, literalmente no baixo, algumas das maiores histórias do heavy metal.
Como Ian Hill se tornou parte da história do Judas Priest
A trajetória do Judas Priest começou em 1969, em Birmingham, na Inglaterra. A formação inicial reunia o vocalista Al Atkins, o baixista Brian “Bruno” Stapenhill, o guitarrista John Perry e o baterista John “Fezza” Partridge.
Após a morte de Perry, aos 18 anos, e outras mudanças na formação, o grupo enfrentou dificuldades para se estabelecer. A banda chegou a conseguir um contrato com uma gravadora, mas a empresa faliu e o projeto foi encerrado em 1970.
Meses depois, Atkins se juntou ao grupo Freight, que contava com K.K. Downing na guitarra, seu amigo de infância Ian Hill no baixo e John Ellis na bateria.
O nome Judas Priest foi recuperado, dando início à trajetória da banda que se tornaria uma das mais influentes do heavy metal. Com a chegada de Rob Halford nos vocais e Glenn Tipton na guitarra, o grupo consolidou a formação que marcaria gerações de fãs.
Ao longo das décadas, o Judas Priest passou por diversas mudanças, mas Hill permaneceu como uma presença constante na história da banda.
Quem continua no Judas Priest após a saída de Hill?
Com a aposentadoria do baixista, o Judas Priest passa a seguir sem integrantes da formação que se consolidou em 1970.
Rob Halford permanece como o único integrante da formação clássica citada no histórico da banda. Ao seu lado estão:
- Davey Rimmer, no baixo;
- Richie Faulkner, na guitarra;
- Andy Sneap, na guitarra, ocupando a função de Glenn Tipton nas apresentações;
- Scott Travis, na bateria.
Tipton se afastou das turnês devido ao avanço da doença de Parkinson, embora continue ligado à história do grupo.
Já Scott Travis, integrante desde 1990, passa a ser o músico há mais tempo na formação depois da saída de Hill.
Uma despedida que marca o heavy metal
A aposentadoria de Ian Hill encerra um capítulo extraordinário da história do Judas Priest. Foram mais de cinco décadas de shows, gravações, mudanças na indústria musical e uma contribuição fundamental para a trajetória de uma das bandas mais importantes do heavy metal.
Agora, o desafio será seguir em frente com uma nova formação, enquanto Hill finalmente poderá dedicar mais tempo à família.
Para os fãs, fica a lembrança de um músico que atravessou gerações sem abandonar seu posto. No rock, poucas trajetórias são tão duradouras — e poucas despedidas carregam tanto peso.




