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Rock Geek: Por que os jogos de GameCube viraram relíquias (e assustam mais que chefão final no preço)?

Entrar em uma loja de games retrô é quase como visitar um museu da história dos videogames. Tem cartucho, CD, console clássico… mas, quando o assunto é GameCube, a situação muda de fase.

Os jogos do console da Nintendo simplesmente desapareceram de muitas prateleiras. E quando aparecem, os preços costumam fazer qualquer carteira pedir um continue.

Mas afinal, por que isso acontece?

IBAGEM GAMECUBE

Imagem: Donny Fillerup/Consolevariations

Uma biblioteca que envelheceu como vinho

Boa parte da resposta está na qualidade do catálogo.

O GameCube reuniu alguns dos títulos mais queridos da história da Nintendo, como Metroid Prime, The Legend of Zelda: The Wind Waker, Super Smash Bros. Melee, Luigi’s Mansion, Paper Mario: The Thousand-Year Door, Pikmin e o cultuado Eternal Darkness: Sanity’s Requiem.

Até mesmo Super Mario Sunshine, que dividiu opiniões no lançamento, conquistou uma legião fiel de fãs ao longo dos anos.

Além dos exclusivos, o console também recebeu clássicos multiplataforma como Resident Evil 4 e Beyond Good & Evil, sem falar na era de ouro do multiplayer local com Mario Kart: Double Dash!!, Mario Party e Super Smash Bros. Melee.

Resultado? Todo mundo quer esses jogos… mas ninguém quer vender.

Poucos consoles, poucas cópias

A famosa lei da oferta e da demanda também entra forte nessa história.

O GameCube vendeu cerca de 21,74 milhões de unidades no mundo inteiro. Parece muito, mas ficou bem atrás do Nintendo 64, que ultrapassou os 32 milhões, e foi completamente atropelado pelo fenômeno chamado Wii, que passou dos 101 milhões de consoles vendidos.

Em outras palavras: menos videogames vendidos significam menos discos produzidos — e menos jogos circulando atualmente.

Quando DVD fazia diferença

Outro detalhe pesou bastante no desempenho do console.

Enquanto PlayStation 2 e Xbox também funcionavam como aparelhos de DVD, o GameCube ficou de fora dessa festa.

Na época, muito antes dos serviços de streaming dominarem o entretenimento, assistir filmes no videogame era um baita argumento de venda.

Sem esse recurso, a Nintendo acabou perdendo espaço entre o público adolescente e adulto, concentrando seus esforços em um perfil mais familiar.

Isso também reduziu o interesse de várias desenvolvedoras terceirizadas em lançar jogos para o console.

O Wii ajudou… e complicou tudo

Parece contraditório, mas o sucesso do Wii acabou deixando os jogos de GameCube ainda mais raros.

As primeiras versões do console eram compatíveis com os discos da geração anterior, aumentando a procura pelos títulos usados.

O problema? Nenhuma cópia nova foi colocada no mercado.

Com mais gente querendo jogar e a mesma quantidade de discos disponível, os preços começaram a subir — e continuam altos até hoje.

O famoso “imposto Nintendo” existe mesmo

Quem coleciona videogames conhece bem esse apelido.

Os jogos da Nintendo costumam manter seu valor por muitos anos, especialmente quando pertencem a franquias consagradas.

Some isso ao número reduzido de unidades produzidas, à nostalgia da geração que cresceu com o GameCube e à falta de relançamentos modernos de muitos títulos.

O resultado é uma combinação explosiva para o bolso dos colecionadores.

Missão difícil para quem quer começar uma coleção

Hoje, encontrar um jogo de GameCube em bom estado já exige paciência.

Encontrar um por um preço amigável? Aí já parece conteúdo desbloqueável.

Enquanto muitos títulos continuam presos ao console original e sem versões modernas, a procura segue alta e os valores acompanham essa demanda.

No fim das contas, o GameCube deixou de ser apenas um videogame clássico e virou uma das plataformas mais valorizadas do universo retrô.