Por décadas, muita gente vendeu a ideia de que Rolling Stones e Beatles eram rivais mortais. Na prática? Parece que havia muito mais respeito do que guerra de guitarras.
Em entrevista ao canal Classic Vinyl, da SiriusXM, Mick Jagger fez questão de exaltar o talento de John Lennon e Paul McCartney, classificando os Beatles como os compositores mais impressionantes da década de 1960.

Imagem: Ben Houdijk / Depositphotos
“Eles eram uma fábrica de clássicos”
Sem economizar nos elogios, Mick Jagger destacou a impressionante produtividade dos Fab Four.
Segundo o vocalista dos Rolling Stones, além de escreverem sucessos para a própria banda, Lennon e McCartney ainda produziam músicas para diversos outros artistas — e praticamente tudo virava hit.
“Eles foram os compositores mais prolíficos daquela época. Escreviam sucessos para eles mesmos e ainda entregavam músicas para outros artistas. Nós, inclusive, ficávamos muito felizes quando recebíamos uma delas. Era uma verdadeira máquina de composição.”
Traduzindo para o bom português: enquanto muita banda comemorava um grande hit, os Beatles pareciam lançar um clássico antes do café da manhã.
Uma música dos Beatles ajudou a impulsionar os Stones
Quem pensa que a amizade entre os grupos ficou apenas nos bastidores talvez não conheça a história de “I Wanna Be Your Man”.
A composição de John Lennon e Paul McCartney foi entregue aos Rolling Stones e acabou se tornando o segundo single da banda, lançado em 1963.
A música alcançou o 12º lugar nas paradas britânicas e, pouco tempo depois, também ganhou uma versão dos próprios Beatles, com Ringo Starr assumindo os vocais no álbum With the Beatles.
A dupla de compositores também escreveu sucessos para artistas como Cilla Black, reforçando a fama de “fábrica de hits” que Jagger destacou durante a entrevista.
“Rivalidade? Todo mundo saía ganhando”
Durante a conversa, Mick Jagger também tratou de colocar água na fervura sobre a suposta disputa entre as duas maiores bandas da história do rock.
Segundo ele, a parceria fazia sentido para ambos os lados.
“Quando eles davam uma música para outra banda, também ganhavam dinheiro.”
Ou seja, enquanto o público alimentava a rivalidade, os músicos faziam negócios, trocavam composições e ajudavam a construir juntos uma das fases mais brilhantes da história do rock.
Rolling Stones seguem acelerando com “Foreign Tongues”
Mostrando que o rock não conhece aposentadoria, os Rolling Stones lançaram recentemente Foreign Tongues, o 25º álbum de estúdio da carreira.
Produzido por Andrew Watt, o disco sucede o elogiado Hackney Diamonds (2023) e reúne 14 faixas inéditas.
Como se o currículo da banda já não fosse pesado o suficiente, o novo trabalho ainda traz participações de nomes como Paul McCartney, Robert Smith (The Cure), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Steve Winwood e Bruno Mars.
Mais de seis décadas depois, os Rolling Stones continuam mostrando que ainda há combustível no amplificador — e, pelo visto, muita admiração pelos velhos amigos de Liverpool.



