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Thom Yorke detona bilionários da música e diz que novos artistas estão sendo deixados no volume zero

O vocalista do Radiohead, Thom Yorke, resolveu ligar os amplificadores da sinceridade durante entrevista à BBC 6 Music e mandou um recado direto para os bilionários da indústria musical.

Após receber o prêmio Academy Fellowship no Ivor Novello Awards, Yorke criticou o comportamento de grandes investidores que vêm gastando fortunas na compra de catálogos clássicos enquanto, segundo ele, falta apoio para artistas novos desenvolverem suas carreiras.

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Imagem: Reprodução

“Tratam músicas como quadros de Picasso”

Durante a conversa, o cantor comentou que muitos empresários enxergam canções históricas apenas como ativos financeiros.

“As mesmas pessoas que fizeram tudo isso agora estão especulando com esses catálogos antigos como se fossem pinturas de Picasso guardadas em um cofre”, disparou o músico.

A crítica vem em meio ao crescimento bilionário do mercado de compra de direitos musicais, onde catálogos clássicos viraram praticamente ações da bolsa versão rock n’ roll.

Thom Yorke diz que indústria perdeu paciência com artistas

Segundo Yorke, a música perdeu algo essencial: tempo para artistas amadurecerem criativamente.

O vocalista afirmou que antigamente existia mais espaço para bandas experimentarem, errarem, evoluírem e encontrarem sua identidade artística antes da pressão comercial esmagar tudo.

“Com pouco apoio, você pode realmente deixar as pessoas crescerem e encontrarem seu caminho.”

Ele também destacou que a nova geração enfrenta um cenário muito mais brutal.

“Hoje em dia, você comete um erro e está frito.”

Traduzindo para o mundo moderno: um álbum mal recebido, uma música que não viraliza ou uma turnê que não explode nas redes já pode colocar muita carreira na corda bamba.

Nevermind ainda é referência para discos que mudam tudo

Durante a entrevista, Thom Yorke também relembrou o impacto que sentiu ao ouvir Nevermind pela primeira vez, em 1991.

Segundo ele, discos capazes de mudar a cultura ainda podem surgir hoje — mas isso depende de investimento, paciência e confiança artística.

“Lembro de ouvir ‘Nevermind’ e pensar: ‘Ok, desta vez eles acertaram’.”

O músico explicou que, de tempos em tempos, aparecem obras capazes de redefinir toda uma geração, como aconteceu com o Nirvana no início dos anos 90.

Debate sobre indústria musical ganha força

As declarações de Thom Yorke reacendem um debate que cresce cada vez mais dentro da música: até que ponto o mercado atual ainda consegue apostar em inovação sem transformar tudo apenas em investimento financeiro?

Enquanto plataformas, algoritmos e grandes fundos disputam catálogos históricos, muitos artistas seguem tentando sobreviver num cenário onde errar virou quase luxo proibido.