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Roger Waters sem freio: 5 bandas e artistas que já viraram alvo de suas críticas

Se existe alguém no mundo do rock que não parece ter qualquer dificuldade em dizer exatamente o que pensa, esse alguém é Roger Waters.

O ex-integrante do Pink Floyd voltou a causar barulho recentemente ao falar sobre o Rush. Mesmo diante de uma banda com mais de cinco décadas de carreira, Waters afirmou que não conhece as músicas do grupo e, basicamente, disse que elas não fazem diferença alguma para ele.

E a comparação escolhida pelo músico também não foi exatamente discreta. Waters colocou Billie Holiday e Gerry Mulligan na conversa para explicar quais artistas realmente despertam seu interesse.

IBAGEM ROGER WATERS

Imagem: Zé Carlos de Andrade (@zecarlosdeandrade)

A declaração aconteceu durante uma entrevista ao podcast Due Dissidence e ganhou ainda mais repercussão porque o Rush já declarou admiração pelo trabalho de Waters e do Pink Floyd. A Rolling Stone Brasil relembrou, por exemplo, uma declaração do saudoso baterista Neil Peart, que apontou a abordagem “confessional e realista” de Waters como uma influência para a composição de “Limelight”, clássico do álbum Moving Pictures, de 1981.

Mas Rush não está sozinho nessa história.

Ao longo dos anos, Waters já fez críticas bastante diretas a diferentes nomes da música. A lista passa por lendas do rock, ícones do heavy metal, gigantes do folk e até integrantes de bandas que ajudaram a redefinir o próprio rock.

Confira cinco casos que mostram que, quando o assunto é opinião, Roger Waters definitivamente não costuma tocar no volume baixo.

1. Rush

A declaração mais recente aconteceu durante a participação de Waters no podcast Due Dissidence.

Ao ser questionado sobre o Rush, o músico afirmou que não conhecia nenhuma música da banda formada por Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart. E não demonstrou exatamente uma vontade urgente de corrigir essa lacuna musical.

Via Igor Miranda, Waters afirmou:

“Não tenho nada [contra o Rush]. O que eu sei é que eles não fazem diferença e que nunca os vi ou ouvi. Ou talvez eu tenha visto ou ouvido. Provavelmente já ouvi as músicas um milhão de vezes, mas elas simplesmente passaram despercebidas por mim. Não me importo.”

Na sequência, ele reconheceu que costuma ouvir elogios à capacidade técnica dos integrantes, mas deixou claro que isso não muda sua opinião sobre o grupo.

“Eles não são Billie Holiday. Eles não são Gerry Mulligan. Tenho certeza de que eles são muito bons tecnicamente, porque as pessoas ficam falando isso, mas eu digo: ‘por favor, parem’. Eu não dou a mínima [risos].”

Enquanto isso, o Rush pode tranquilamente seguir tocando. Até porque Neil Peart já deixou registrado que o trabalho de Waters teve importância para sua música.

Rush – Limelight

2. Ozzy Osbourne

Em 2025, outro gigante do rock entrou na mira de Waters: Ozzy Osbourne.

Após a morte do vocalista do Black Sabbath, o ex-Pink Floyd chamou atenção ao comentar o legado do músico. Enquanto Ozzy recebia homenagens de fãs e artistas de diferentes gerações, Waters adotou uma postura bastante crítica.

“Ozzy Osbourne, que acabou de morrer, Deus o abençoe em qualquer que seja o estado em que ele esteve durante toda a sua vida. Nunca saberemos. A música, eu não tenho ideia. Eu não dou a mínima. Não me importo com o Black Sabbath, nunca me importei. Não tenho interesse em morder cabeças de galinhas ou seja lá o que eles fazem. Eu não dou a mínima, sabe.”

Definitivamente, não foi exatamente uma mensagem para entrar no álbum de maiores homenagens da história do metal.

BLACK SABBATH – “War Pigs” from ‘The End’ (Live Video)

3. Mick Jagger

Mick Jagger apareceu em outro contexto: as críticas de Waters ao posicionamento político de grandes artistas.

Ao falar sobre o envolvimento de músicos famosos em debates relacionados a conflitos e crises internacionais, Waters questionou a postura do vocalista dos Rolling Stones.

Em declaração reproduzida por Tenho Mais Discos Que Amigos, ele afirmou:

“O Mick, nós sabemos, está interessado em seu físico, em seu saldo bancário e que se dane o resto.”

Waters também ampliou a crítica para artistas que, na visão dele, colocam a própria imagem acima de questões sociais.

“Pessoas que quiseram entrar em bandas de pop e ir para a frente de centenas de milhares de pessoas para se exibir dificilmente vão desenvolver o lado empático da sua natureza e se importar com pessoas pobres […] ou vítimas de genocídio, porque estão ocupadas demais pensando no quão fodas elas são.”

Ou seja: não foi exatamente uma crítica com passagem de volta.

The Rolling Stones – Sympathy For The Devil (Official Video) [4K]

4. Bob Dylan

Bob Dylan também já recebeu críticas de Waters, desta vez por uma questão bem específica: os arranjos utilizados pelo lendário cantor em apresentações ao vivo.

Em entrevista repercutida pela Far Out Magazine, Waters explicou por que não teria mais interesse em assistir a Dylan no palco.

“É por isso que eu não vou mais ver Bob Dylan, porque não gosto de ficar sentado tentando descobrir que droga de música ele está tocando.”

O ex-Pink Floyd explicou que sua própria maneira de revisitar músicas antigas é diferente. Segundo ele, costuma partir das gravações originais e só modifica os arranjos quando existe uma razão para isso.

“Eu sempre começava a partir da gravação e só fazia mudanças se houvesse uma boa razão.”

Waters ainda contou que prefere reconhecer imediatamente as músicas antigas durante uma apresentação.

“Depois de uns cinco minutos ouvindo, você pensa: ‘Meu Deus, é ‘Blowin’ in the Wind’. Eu amo tanto as gravações que acho isso perturbador demais. Se eu vou tocar algumas dessas músicas antigas, gosto que elas sejam bem reconhecíveis.”

Pelo visto, para Waters, show não deveria virar um episódio de “Qual é a música?”.

Bob Dylan – Desolation Row (Live in Paris 25 October 2024) – Full video

5. Sex Pistols

Os Sex Pistols também já ouviram algumas críticas nada suaves de Waters.

Em entrevista à Rolling Stone, o músico questionou a proposta da banda e classificou sua música como “barulho”. Ele também associou o status icônico do grupo à morte de Sid Vicious.

“Os Sex Pistols só queriam fazer barulho. Era tudo tão claramente forçado. Sabe, eles eram gerenciados por um cara que tinha uma loja de roupas ridículas e aí um deles morreu, então você tem aquela coisa icônica que perdura. Se alguém morre, isso é sempre bom. Exceto para ele, obviamente, e sua mãe e seu pai, e [sua namorada] Nancy; mas para todos os outros, é brilhante.”

A opinião certamente contrasta com a importância histórica atribuída aos Sex Pistols na explosão do punk britânico.

Sex Pistols – God Save The Queen

Roger Waters e o velho hábito de não economizar nas palavras

Entre Rush, Ozzy Osbourne, Mick Jagger, Bob Dylan e Sex Pistols, fica difícil dizer que Roger Waters tenha adotado a política de “melhor não comentar”.

O músico construiu uma carreira gigantesca com o Pink Floyd e também se tornou conhecido por posicionamentos políticos e opiniões contundentes sobre a indústria musical e outros artistas.

No rock, divergências são quase parte do uniforme. Mas Waters parece ter decidido customizar o dele com bastante tinta, gasolina e um megafone.