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Roger Waters detona James Hetfield, do Metallica, por discurso contra política nos shows

Quando dois gigantes do rock discordam, o resultado pode ser tão barulhento quanto um solo de guitarra no volume máximo. Desta vez, os protagonistas são Roger Waters, ex-integrante do Pink Floyd, e James Hetfield, vocalista e guitarrista do Metallica. Conhecido por suas manifestações políticas, Waters não economizou nas críticas ao músico depois que ele defendeu uma postura apolítica durante os shows da banda.

A polêmica começou durante a temporada de apresentações do Metallica no The Sphere, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Ao conversar com o público, Hetfield agradeceu aos fãs pela presença e explicou que a proposta do grupo era oferecer uma experiência voltada à música, sem discursos sobre questões externas.

Na ocasião, o vocalista afirmou que o Metallica não estava ali para influenciar a plateia com discursos que classificou como “baboseira”. Segundo ele, a agenda da banda era baseada em amor, energia e música pesada, com a intenção de fazer o público esquecer por algumas horas os problemas do mundo.

IBAGEM ROGER AGUAS

Imagem: Jim Dyson/Getty Images

A declaração, porém, não caiu bem para Roger Waters.

Roger Waters perde a paciência e parte para o ataque

Durante uma participação no podcast apresentado por Katie Halper, Waters reagiu de maneira contundente ao posicionamento de Hetfield. O músico britânico chamou o vocalista do Metallica de “babaca” e fez comentários ofensivos sobre sua inteligência e sua relevância.

Waters também questionou a qualidade musical do grupo, deixando claro que não concordava com a postura defendida pelo colega de profissão.

O ex-Pink Floyd foi além das críticas ao discurso e afirmou que Hetfield deveria ter recebido conselhos sobre a importância de ser gentil, em vez de concentrar sua atuação em música alta e performances enérgicas.

Em outro trecho do desabafo, Waters mencionou a fortuna que o vocalista teria acumulado e afirmou que não considera o Metallica uma referência musical. Ele ainda relatou ter ouvido apresentações acústicas da banda que, em sua avaliação, não foram satisfatórias.

A fala transformou uma divergência sobre o papel dos artistas em um ataque pessoal, ampliando a repercussão do embate entre os dois nomes do rock.

James Hetfield prefere deixar política fora do palco

A posição de James Hetfield não surgiu agora. O vocalista já declarou anteriormente que prefere manter política e religião longe das apresentações do Metallica, por entender que esses assuntos podem dividir o público.

Em entrevista ao veículo chileno La Tercera, em 2017, Hetfield afirmou que se considera um cantor e guitarrista de uma banda de rock e que não gosta de discutir política. Na ocasião, explicou que seu principal objetivo era conectar as pessoas por meio da música.

Para o músico, questões políticas e religiosas podem criar divisões, enquanto os shows oferecem uma oportunidade para reunir pessoas com experiências e opiniões diferentes em torno de algo em comum.

Essa visão ajuda a explicar a declaração feita durante as apresentações em Las Vegas: o Metallica quer que os fãs tenham um espaço para curtir o som sem necessariamente acompanhar debates políticos.

Rock, política e liberdade de expressão: onde começa o limite?

O confronto evidencia uma diferença de visão sobre o papel de artistas com grande alcance público. Roger Waters costuma utilizar sua carreira para expressar posicionamentos políticos e defender causas que considera importantes. Já James Hetfield prefere preservar os shows do Metallica como experiências centradas na música e no entretenimento.

A divergência levanta uma discussão antiga no mundo artístico: músicos devem aproveitar seus palcos para abordar questões sociais e políticas ou podem optar por manter esses temas fora das apresentações?

Para Waters, a postura de Hetfield merece críticas duras. Para o vocalista do Metallica, a música pode funcionar como um ponto de encontro entre pessoas que pensam de maneiras diferentes.

Enquanto os dois seguem com suas próprias convicções, uma coisa é certa: dessa vez, o duelo entre os veteranos do rock não será resolvido com guitarras, amplificadores ou uma disputa de solos. O barulho ficou por conta das declarações.