Se alguém tem moral suficiente para chamar praticamente qualquer músico para uma colaboração, esse alguém é Paul McCartney. Afinal, o cara fez história com os Beatles, ajudou a transformar a música pop e coleciona clássicos que atravessaram gerações. Mas nem todo esse currículo impede que ele fique intimidado por outro nome lendário da música.
O responsável por deixar Macca sem jeito é Bob Dylan, mestre do folk e um dos compositores mais influentes de todos os tempos. Em participação no podcast Good Hang, apresentado por Amy Poehler, Paul contou que Dylan é o artista com quem mais gostaria de trabalhar atualmente. Só que existe um obstáculo entre o sonho e o estúdio: a timidez na hora de tomar a iniciativa.
“Eu sempre penso no Bob Dylan. Mas fico muito nervoso só de pensar em ligar para ele”, revelou o ex-Beatle.
Amy Poehler brincou que já seria difícil imaginar Dylan atendendo ao telefone. McCartney entrou na onda e imaginou o cantor em uma situação bem peculiar: provavelmente estaria “em algum matagal, dentro de um saco de dormir”.
Parece que, mesmo depois de dividir os palcos do mundo com os Beatles, Paul ainda encontra um chefão musical capaz de deixá-lo sem saber o que dizer.

Imagem: Emma McIntyre
Paul McCartney e Bob Dylan: admiração de lendas e um encontro constrangedor
O receio de Paul não significa que os dois sejam completos desconhecidos ou que falte respeito entre eles. O que pesa é a personalidade enigmática de Bob Dylan, que aparentemente consegue deixar até uma estrela como McCartney meio sem chão.
O ex-Beatle relembrou um encontro com o músico durante o festival Desert Trip, em 2016. Os dois estavam sozinhos em uma grande tenda nos bastidores quando Dylan soltou uma frase curta, mas poderosa:
“Você é uma estrela.”
A reação de Paul? Um belo branco mental. McCartney admitiu que ficou um pouco constrangido e não sabia como responder ao elogio.
Convenhamos: quando um dos maiores compositores da história da música olha para você e manda uma dessas, até quem já cantou para multidões pode precisar de alguns segundos para reiniciar o sistema.
Como Bob Dylan entrou para a história dos Beatles
A conexão entre Bob Dylan e os Beatles vem de longe e ajudou a moldar a história da música pop. Em 28 de agosto de 1964, os quatro rapazes de Liverpool encontraram Dylan pessoalmente na suíte do Delmonico Hotel, em Nova York.
O encontro foi intermediado pelo jornalista Al Aronowitz e entrou para o folclore do rock por um motivo bastante conhecido: foi nessa ocasião que Dylan apresentou a maconha aos integrantes dos Beatles.
A relação entre os músicos também quase resultou em uma colaboração histórica alguns anos depois. Em 1969, o produtor e engenheiro de som Glyn Johns encontrou Dylan em um aeroporto e ouviu uma proposta ambiciosa: gravar um álbum que reunisse os Beatles e os Rolling Stones.
A história foi relatada por Johns em sua autobiografia, Sound Man, publicada em 2014.
Beatles e Rolling Stones juntos? O projeto que morreu antes de sair do papel
Empolgado com a ideia, Glyn Johns procurou integrantes das duas bandas para descobrir se o projeto poderia sair do papel. E, inicialmente, a escalação parecia promissora.
George Harrison e Keith Richards adoraram a proposta. Ringo Starr, Charlie Watts e Bill Wyman também concordaram, enquanto John Lennon não se posicionou explicitamente contra a ideia.
Mas nem todo mundo estava disposto a entrar nessa jam session dos sonhos. Um integrante de cada grupo barrou a iniciativa: Mick Jagger e Paul McCartney rejeitaram a proposta com um sonoro “de forma alguma”.
Resultado: o supergrupo que poderia ter reunido alguns dos maiores nomes da história do rock nunca saiu do campo das ideias.
E agora, décadas depois, Paul admite que ainda gostaria de trabalhar com Dylan, mas não consegue vencer o nervosismo para fazer o convite. Pelo visto, juntar Beatles e Stones já era complicado. Marcar uma sessão com Bob Dylan também não parece ser tarefa para amadores.




