Imagine ser chamado para tocar em uma das maiores bandas de metal do planeta e, de repente, perceber que sua vida está prestes a mudar para sempre. Foi mais ou menos esse o turbilhão vivido por Eloy Casagrande antes de sua estreia no Slipknot, em abril de 2024.
Em uma conversa com o baterista Craig Reynolds, o brasileiro relembrou os momentos que antecederam sua primeira apresentação com o grupo norte-americano. O show aconteceu em uma apresentação surpresa de aquecimento, na Califórnia, e foi marcado por ansiedade, tensão e uma dose generosa de adrenalina.

Imagem: Jeff Marques (@jeffmaarques_)
Eloy contou que estava em uma casa a cerca de 15 minutos do local da apresentação. O trajeto até o palco, feito em uma van ao lado de integrantes da banda, acabou se transformando em uma eternidade.
“Eu estava surtando. É, estava completamente fora de mim. […] Foram os 15 minutos mais longos da minha vida. Eu não podia aparecer, não podia nem tirar a máscara, porque estávamos passando pela cidade”, contou.
Mick Thomson em modo monstro e Eloy sem saber onde enfiar a ansiedade
Na van também estavam o guitarrista Mick Thomson e o percussionista Michael Pfaff. Segundo Eloy, o comportamento de Mick antes de entrar no palco era impressionante: o guitarrista ficava completamente concentrado, sério e pronto para destruir tudo assim que chegasse a hora.
“Quando está prestes a subir no palco, o Mick vira um animal, cara. Ele vai direto para o palco, super focado, sem falar nada. […] Só quer subir e detonar”, relembrou.
Enquanto isso, Eloy estava acompanhado da esposa, Ariane Garcia, e tentava processar tudo o que estava acontecendo. O baterista confessou que ficou em choque durante aqueles minutos e que jamais vai esquecer a experiência.
Estreia começou com “People = Shit” e um pequeno desastre na bateria
Se a tensão já estava nas alturas, o primeiro instante da apresentação ainda reservava uma surpresa nada agradável.
A estreia de Eloy Casagrande no Slipknot aconteceu ao som de “People = Shit”, mas a primeira batida não saiu exatamente como planejado. O técnico de bateria esqueceu de ligar a esteira da caixa, provocando um ruído inesperado, semelhante a um “ding”.
Eloy não escondeu a irritação ao recordar o episódio e brincou que teve vontade de matar o responsável pelo esquecimento.
Convenhamos: estrear em uma das bandas mais intensas do metal mundial já é pressão suficiente. Ter que lidar com um problema técnico logo na primeira pancada é praticamente um teste de sobrevivência!
Brasileiro ficou em choque durante toda a apresentação
Questionado por Craig Reynolds se conseguiu se sentir confortável assim que o show começou, Eloy explicou que a experiência inteira foi intensa demais para simplesmente aproveitar o momento.
O público estava muito próximo do palco, com fãs registrando tudo em seus celulares. A apresentação também tinha um significado especial: marcava o retorno do Slipknot com suas novas máscaras.
Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, o brasileiro revelou que ficou preocupado principalmente em executar as músicas corretamente.
“Eu fiquei em choque durante tudo. […] Não tive a chance de curtir o momento. Estava muito preocupado em tocar do jeito certo”, explicou.
Eloy destaca acolhimento dos integrantes do Slipknot
Apesar do nervosismo e dos imprevistos, o baterista fez questão de agradecer aos companheiros de banda pela recepção.
Segundo ele, todos foram muito atenciosos e ofereceram apoio durante o processo de adaptação ao grupo.
E a parceria deu certo! Desde sua chegada, Eloy Casagrande se tornou uma das peças fundamentais da formação atual do Slipknot, levando sua técnica e potência para uma das bandas mais importantes do metal moderno.
Afinal, sobreviver a 15 minutos de ansiedade, estrear com “People = Shit” e ainda encarar um problema técnico logo na primeira batida não é para qualquer um!



