Quando o assunto é solo de guitarra, poucos músicos têm tanta autoridade para falar quanto Brian May. O guitarrista do Queen construiu uma identidade musical inconfundível, combinando melodias marcantes, técnica apurada e muita emoção nas seis cordas.
Mas, mesmo sendo responsável por solos históricos como os de Bohemian Rhapsody, We Will Rock You e Brighton Rock, May também sabe reconhecer a genialidade de outros instrumentistas.
Em diferentes entrevistas, o músico destacou três performances que considera verdadeiras obras-primas da guitarra. A seleção, reunida pelo site Far Out, inclui nomes fundamentais do rock e do blues: Jeff Beck, Eric Clapton e Ritchie Blackmore.
E não espere apenas velocidade e demonstrações de habilidade. Para Brian, um grande solo precisa conversar com a música e transmitir sentimentos. Afinal, guitarra não é competição de quem consegue tocar mais notas por segundo!

Imagem: Victoria Jones – WPA Pool/Getty Images
Os 3 solos de guitarra que conquistaram Brian May
1. Jeff Beck – “Hi Ho Silver Lining”
<bold>O primeiro lugar da admiração de May começa com uma verdadeira aula de musicalidade.</bold>
Lançada em 1967 como primeiro single solo de Jeff Beck, Hi Ho Silver Lining chamou a atenção do guitarrista do Queen pela maneira como o instrumento parece ganhar vida própria nas mãos do músico.
O destaque está no fraseado fluido e no uso expressivo do vibrato, criando uma sonoridade que lembra a interpretação de um cantor.
Em entrevista à revista Total Guitar, Brian explicou que buscava justamente essa característica para sua própria maneira de tocar: fazer a guitarra transmitir a suavidade e a expressividade de uma voz humana, mas também apresentar articulações capazes de dar personalidade a cada nota.
A admiração foi ainda mais longe quando May classificou o solo de Beck como uma espécie de perfeição impossível de alcançar, colocando o guitarrista em uma categoria própria.
E olha que estamos falando de alguém que também entende bastante de solos inesquecíveis!
2. Eric Clapton – “Key to Love”
Aqui o negócio fica mais intenso! A segunda escolha de Brian May é Key to Love, faixa interpretada por Eric Clapton no álbum Blues Breakers with Eric Clapton, lançado em 1966.
Gravada ao lado de John Mayall & the Bluesbreakers, a música apresenta Clapton explorando o blues com notas agudas, vibratos marcantes e uma interpretação carregada de energia.
Em entrevista à revista Classic Rock, May descreveu a gravação como uma das experiências musicais mais intensas e apaixonadas que já havia escutado.
O guitarrista também destacou a construção da faixa: toda a composição parece preparar o terreno para o momento em que Clapton assume o protagonismo com seu solo explosivo.
Para Brian, é justamente essa combinação que torna a performance tão especial. A música cresce, a expectativa aumenta e, quando chega a hora, Eric simplesmente destrói tudo nas seis cordas!
3. Rainbow – Ritchie Blackmore em “Since You’ve Been Gone”
Fechando a seleção, temos uma pedrada melódica do Rainbow!
Lançada em 1979 no álbum Down to Earth, Since You’ve Been Gone conquistou Brian May pela combinação entre uma estrutura pop extremamente marcante e a personalidade instrumental de Ritchie Blackmore.
O guitarrista do Queen classificou a composição como uma verdadeira obra-prima, destacando sua capacidade de permanecer na cabeça do ouvinte mesmo depois que a música termina.
May também ressaltou a participação de Blackmore, responsável por impulsionar a faixa com sua guitarra e dar ainda mais força à gravação.
Na avaliação do músico, a interpretação consegue atingir diretamente as emoções, enquanto a combinação dos instrumentos ajuda a transformar a música em um clássico.
É aquele tipo de faixa que começa e, quando você percebe, já está cantando o refrão junto!
Brian May mostra que um grande solo vai muito além da velocidade
As escolhas do guitarrista do Queen revelam bastante sobre sua própria filosofia musical. Para Brian May, não basta impressionar com técnica ou velocidade: um solo precisa ter personalidade, melodia e, principalmente, fazer sentido dentro da composição.
Jeff Beck, Eric Clapton e Ritchie Blackmore representam caminhos diferentes para explorar a guitarra, mas compartilham uma característica fundamental: conseguem transformar algumas notas em momentos inesquecíveis.
E aí, concorda com o mestre Brian May ou colocaria outro guitarrista nessa seleção?




