A Inteligência Artificial generativa virou uma das maiores apostas da indústria dos games, prometendo acelerar o desenvolvimento e reduzir custos. Mas, pelo menos entre os jogadores, a tecnologia parece estar encontrando um verdadeiro chefão final.
Um novo estudo publicado pelo Game Oracle, assinado pelo analista Ross Burton, aponta que jogos que utilizam IA generativa podem vender até 53% menos na Steam quando comparados a títulos produzidos sem esse recurso.

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Menos avaliações, menos vendas
Como a Steam não divulga números oficiais de vendas, Burton utilizou a quantidade de avaliações dos usuários como indicador de desempenho comercial.
Após cruzar diferentes dados, o analista concluiu que jogos que informam o uso de IA generativa receberam, em média, 53% menos avaliações, sugerindo uma queda semelhante no número de cópias comercializadas.
O estudo levou em consideração fatores como experiência dos estúdios, qualidade dos projetos e até o impacto da sorte no lançamento dos títulos.
Notas também ficam para trás
O levantamento mostrou que o problema não está apenas nas vendas.
Os games desenvolvidos com auxílio de Inteligência Artificial também registraram avaliações inferiores por parte dos jogadores.
A mediana de aprovação desses títulos ficou em 84,6% de avaliações positivas. Já os jogos produzidos sem IA alcançaram uma média de 88,3%.
Pode parecer uma diferença pequena, mas, na guerra dos algoritmos da Steam, alguns pontos percentuais fazem bastante barulho.
Grandes estúdios sofrem ainda mais
Outro dado curioso chamou a atenção do pesquisador.
Segundo Burton, a rejeição ao uso da IA generativa foi ainda mais evidente em jogos produzidos por grandes estúdios e grandes publicadoras.
Na prática, quanto maior a expectativa em torno de um lançamento, maior parece ser a resistência da comunidade quando existe a percepção de que a tecnologia substituiu parte do trabalho criativo.
O analista classifica esse comportamento como um possível estigma, já que a reação negativa estaria relacionada ao uso da ferramenta e não necessariamente à qualidade do jogo.
Casos recentes reforçam o debate
A discussão ganhou força nos últimos meses após rumores e confirmações envolvendo o uso de IA em títulos como Clair Obscur: Expedition 33, Crimson Desert e The Alters.
Em muitos casos, a repercussão foi intensa antes mesmo de os jogadores avaliarem a qualidade final dos games, alimentando o debate sobre até que ponto a tecnologia influencia a percepção do público.
IA ainda é exceção entre os destaques da Steam
Outro dado levantado por Burton mostra que a adoção da tecnologia ainda está longe de dominar os principais lançamentos.
Entre mais de 500 demonstrações disponíveis durante a última edição do Steam Next Fest, apenas um jogo declarava oficialmente utilizar IA generativa.
Além disso, o estudo lembra que muitas empresas sequer revelam o uso da tecnologia. No Japão, por exemplo, mais de 70% das companhias que utilizam IA em processos criativos não informam isso publicamente.
Enquanto a indústria tenta descobrir até onde a tecnologia pode chegar, muitos jogadores seguem deixando um recado claro: quando o assunto é criatividade, ainda preferem o velho e bom “feito por humanos”.




