Freddie Mercury era um gênio musical, dono de uma presença de palco absurda e de uma criatividade que ajudou a transformar o Queen em uma das maiores bandas da história do rock. Mas até as lendas têm suas ideias que não passam da primeira reunião. E Brian May acaba de revelar uma delas: a proposta de batizar um álbum do grupo simplesmente de Good.
Durante uma entrevista à rádio britânica Planet Rock, o guitarrista relembrou o episódio envolvendo o saudoso vocalista e uma brincadeira com Michael Jackson. A inspiração era o álbum Bad, lançado pelo Rei do Pop em 1987. A ideia de Freddie? Se o disco do Michael era Bad (ruim, em inglês), por que o Queen não lançava um chamado Good (bom)?
Aparentemente, o trocadilho não provocou o mesmo entusiasmo que um dos solos de guitarra de May.

Imagem: Wikimedia Commons
Freddie Mercury adorava criar títulos surpreendentes
Questionado sobre alguma sugestão de Freddie que os demais integrantes decidiram não levar adiante, Brian May contou que o cantor tinha talento para inventar nomes e gostava de criar suspense antes de revelar suas ideias.
Segundo o guitarrista, Mercury costumava anunciar que havia pensado em algo genial, deixando os companheiros curiosos. Na maioria das vezes, a expectativa valia a pena.
“Ele era muito bom em criar títulos e costumava fazer um certo mistério. Ele dizia: ‘Sabe, tive uma ideia ótima. Quer saber qual é? Tive uma ideia ótima’”, recordou May.
O músico explicou que, geralmente, a reação da banda era positiva. Os integrantes ouviam a proposta e reconheciam que Freddie havia acertado em cheio.
Só que, em uma ocasião, a revelação tomou outro rumo.
“Ele disse: ‘Tive uma ideia ótima. Sabe aquele álbum do Michael Jackson chamado Bad? Tive uma ideia ótima: vamos chamar o nosso álbum de Good’”, contou o guitarrista.
É aquele momento em que alguém solta uma piada na sala de ensaio e fica esperando a gargalhada que nunca vem.
A reação dos integrantes foi um sonoro “talvez”
De acordo com Brian May, a sugestão provocou um silêncio constrangedor entre os integrantes do Queen. Ninguém pareceu disposto a abraçar imediatamente a ideia, mas também não houve uma rejeição direta na hora.
“Ficou um certo silêncio na sala, e a gente comentou: ‘Hum, é… talvez’. Mas, no fundo, a sensação era de que… provavelmente não”, brincou o guitarrista, aos risos.
A história mostra um lado divertido dos bastidores da banda: mesmo quando uma ideia vinha de Freddie Mercury, ninguém precisava aprovar tudo automaticamente.
Afinal, criatividade não significa acertar todas as notas. Às vezes, até uma das maiores estrelas do rock aparece com um conceito que faz os colegas trocarem olhares antes de voltar ao trabalho.
Brian May faz questão de elogiar o talento de Freddie
Apesar da recepção morna à ideia de Good, May deixou claro que o episódio foi uma exceção, e não uma representação da criatividade de Freddie Mercury.
“Ainda assim, a maioria das ideias do Freddie era excelente”, ressaltou o guitarrista.
E é difícil contestar. Com composições que atravessaram gerações, performances históricas e uma identidade musical inconfundível, o Queen construiu um repertório que vai muito além de qualquer título de álbum.
No fim, a proposta de Good não conquistou a banda, mas rendeu uma boa história para Brian May contar décadas depois. E fica a dúvida: se o disco realmente tivesse recebido esse nome, será que a brincadeira com Michael Jackson teria virado um clássico ou apenas uma curiosidade nos bastidores do rock?



