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O preço da fama: estudo aponta que estrelas do rock morrem mais cedo

Virar ídolo do rock pode garantir aplausos, multidões e turnês lotadas. Mas, segundo um estudo publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, o pacote da fama pode ter um custo alto demais.

A pesquisa, conduzida pela Universidade Witten/Herdecke, na Alemanha, sugere que cantores que alcançam grande notoriedade tendem a morrer, em média, quatro anos antes do que colegas menos conhecidos — mesmo levando em conta que artistas de maior sucesso geralmente pertencem a classes sociais com maior expectativa de vida.

IBAGEM ROCK

Imagem: Reprodução


Os números por trás do palco

O levantamento analisou 324 cantores famosos em atividade entre 1950 e 1990 e comparou com outros 324 artistas menos conhecidos. Foram considerados critérios como ano de nascimento, sexo, nacionalidade, etnia e gênero musical.

O perfil predominante da amostra:

  • 83,5% homens

  • 65% ligados ao rock

Resultado? Em média, as estrelas viveram até os 75 anos, enquanto os músicos menos famosos chegaram aos 79 anos.

Quatro anos podem parecer pouco. Mas, no ritmo acelerado da vida artística, é praticamente um encore inteiro perdido.


Banda protege mais que carreira solo?

Um dado curioso chama atenção: integrar uma banda pode funcionar como fator de proteção. Músicos que atuavam em grupo apresentaram 26% menos risco de morte em comparação com artistas solo.

Ainda assim, mesmo considerando essa variável, cantores famosos tiveram 33% mais probabilidade de morrer mais jovens do que seus pares menos conhecidos.

Para os pesquisadores, a fama pode agir como um “ponto de virada” nos riscos à saúde — algo comparável, em impacto, até a hábitos como o tabagismo ocasional.


E na era das redes sociais, o cenário é ainda mais pesado?

O estudo analisou artistas ativos até 1990 — ou seja, antes da avalanche digital, dos likes, dos cancelamentos e da exposição 24 horas por dia.

Especialistas apontam que o ambiente atual, marcado por pressão constante por engajamento, escrutínio público permanente e quase nenhuma privacidade, pode tornar o cenário ainda mais desafiador para as novas gerações de músicos.

Se o estrelato já cobrava seu preço antes do mundo online, a pergunta que ecoa hoje é direta: qual é o verdadeiro custo da fama na era do feed infinito?

No palco, luzes e aplausos. Nos bastidores, uma conta que nem sempre aparece no setlist.