Substituir um músico já é missão complicada. Agora imagine ocupar o lugar de Cliff Burton, um ícone que marcou o heavy metal antes mesmo de completar 30 anos. Foi esse o desafio encarado por Jason Newsted ao entrar para o Metallica em 1986.
Em entrevista ao Loudwire, Newsted abriu o jogo sobre a audição que mudou sua vida — e sobre um abraço que ele nunca esqueceu.

Imagem: Reprodução
A audição estratégica que impressionou o Metallica
Setlist secreta e preparação nível hardcore
Determinado a conquistar a vaga, Newsted conseguiu discretamente a setlist usada pela banda em shows recentes. Estudou cada música e levou tudo organizado para apresentar a Lars Ulrich.
“Eu conhecia todas as músicas”, contou.
A lista estava montada na ordem exata das apresentações anteriores. A reação foi imediata. Segundo ele, Lars ficou surpreso e animado. A banda tocou algumas faixas — e dois dias depois veio o telefonema pedindo que ele retornasse.
O resto é história.
O abraço que marcou para sempre
Pai de Cliff Burton participou do momento decisivo
Na segunda audição, todos os integrantes estavam presentes. Após o teste, veio a confirmação: ele era o novo baixista do Metallica.
Logo depois do anúncio, Newsted recebeu um abraço de Jan Burton, pai de Cliff.
“Aquilo foi pesado. Muito pesado”, relembrou.
Para ele, o gesto simbolizava algo maior que uma simples contratação. Era como se a tocha estivesse sendo passada adiante — em meio ao luto e à reconstrução da banda.
15 anos de estrada com o Metallica
De “…And Justice for All” ao “Black Album”
Jason Newsted integrou o Metallica entre 1986 e 2001. Sua estreia em estúdio aconteceu no álbum …And Justice for All, lançado em 1988.
Ao longo de 15 anos, ele também gravou o icônico Metallica — conhecido como “Black Album” — além de Load e Reload.
Participou ainda de projetos como Garage Inc. e do ao vivo com orquestra S&M, mostrando versatilidade além do thrash acelerado.
Newsted deixou a banda em janeiro de 2001. Em 2003, o posto foi oficialmente assumido por Robert Trujillo.
Entre legado e pressão
Assumir o baixo após a morte de Cliff Burton não era apenas trocar de músico — era lidar com expectativa, comparação e emoção à flor da pele.
Décadas depois, Newsted ainda descreve aquele momento como intenso, simbólico e transformador.
No mundo do metal, algumas passagens de bastão não são só profissionais. São históricas.



