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Manoel Carlos + Linkin Park: quando uma novela levou o nu metal ao horário nobre

A morte de Manoel Carlos, no último sábado (10), representa uma perda gigante para a cultura brasileira e para a história da televisão. Autor de olhar sensível e texto afiado, ele marcou gerações ao transformar dramas cotidianos, conflitos familiares e amores imperfeitos em espelhos da vida real — quase sempre com o Leblon como pano de fundo.

Conhecido carinhosamente como Maneco, o autor teve sua despedida sentida por atores, colegas de profissão e por um público que reconhecia nele um dos grandes responsáveis por elevar a telenovela brasileira a um espaço de reflexão sobre o tempo, as relações humanas e as transformações da sociedade.

IBAGEM NOVELA

Imagem: Reprodução

Manoel Carlos e… Linkin Park?

No meio de tantas contribuições à TV, uma curiosidade segue rendendo comentários até hoje: Manoel Carlos ajudou a popularizar o Linkin Park no Brasil — e isso em pleno horário nobre.

Entre suas obras mais lembradas está Mulheres Apaixonadas, exibida pela TV Globo em 2003. A novela entrou para a memória coletiva não apenas pelos personagens e conflitos, mas também por apresentar ao grande público a faixa “Faint”, do álbum Meteora, lançado naquele mesmo ano.

A música embalada por guitarras afiadas, batidas pesadas e a urgência típica do nu metal serviu de trilha para uma intensa sequência de perseguição policial, estrelada por Tony Ramos e Vanessa Gerbelli. Para muita gente, foi ali o primeiro contato com o som explosivo da banda liderada por Chester Bennington.

Quando a novela virou vitrine do rock

A força dessa cena voltou à tona após uma publicação do jornalista Andrey Raychtock, que reacendeu a discussão nas redes sociais. Nos comentários, um usuário resumiu bem o impacto das novelas na indústria musical brasileira:

“Cara, vejo muitas entrevistas de executivos de gravadora do passado e era exatamente isso… eles conseguiam ‘vender’ qualquer produto através das novelas. Tanto que muitos hits só eram hits no Brasil. Foda.”

Outro comentário chamou atenção para o fator tempo — ou a falta dele:

“Bizarro como música é atemporal. De alguma forma louca, na minha cabeça ‘Faint’ não parece ser tão antiga quanto essas imagens da novela.”

Rock, drama e legado

Sem jamais ter sido um autor ligado ao rock, Manoel Carlos acabou fazendo história também na música ao inserir Linkin Park no cotidiano de milhões de brasileiros. Uma prova de que, quando a narrativa é forte, ela atravessa gêneros, estilos e gerações.

No fim das contas, Maneco não apenas escreveu novelas. Ele ajudou a moldar trilhas sonoras da memória afetiva do país — inclusive com distorção, grito e peso no meio do horário nobre. Pensou nisso também?