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Gene Simmons solta o verbo e diz que Peter Criss não compôs “Beth”

Se tem uma coisa que o Kiss nunca economizou foi polêmica. E quem reacendeu a fogueira agora foi Gene Simmons, que afirmou sem rodeios que Peter Criss não teve participação real na composição de “Beth”, uma das baladas mais famosas da história do rock.

Em entrevista ao Professor of Rock, o baixista e vocalista contou, em detalhes, como a música nasceu — e deixou claro que, segundo ele, o crédito dado a Criss faz parte mais da mitologia do rock do que da realidade.

IBAGEM GENE SIMMONS

Imagem: Reprodução


De “Beck” a “Beth”: a origem da balada

Segundo Gene Simmons, tudo começou em uma estrada de Michigan, no fim dos anos 1970. Em uma limusine, Peter Criss cantarolava algo que chamou a atenção do The Demon.

A música, no entanto, não se chamava “Beth”. O nome original era “Beck”.

Simmons conta que achou a melodia bonita, mas estranhou quando perguntou pelos acordes — e Criss não soube responder. A sugestão de mudar o nome para “Beth” veio ali mesmo, ainda no carro. O motivo? Sonoridade mais suave, mais romântica e menos “truncada” que o forte “ck” de “Beck”.

A letra, segundo Gene, retrata a clássica cena rock’n’roll: banda ensaiando madrugada adentro e a namorada cobrando atenção. Prioridades bem definidas.


Afinal, qual foi o papel de Peter Criss em “Beth”?

Aqui Simmons não mede palavras.

Para ele, Peter Criss não é compositor e nunca foi. O músico afirma que bateria é um instrumento de percussão, essencial para uma banda, mas que não gera direitos autorais de composição, como melodias, letras ou riffs.

Segundo Gene:

  • Peter não toca instrumentos harmônicos

  • Não escreve melodias

  • Não compõe letras

O que ele tinha, e isso Simmons reconhece, era uma voz rouca marcante, perfeita para cantar a música.


Quem realmente escreveu “Beth”, segundo Gene Simmons

De acordo com Simmons, o verdadeiro autor da música foi Stan Penridge, parceiro de Peter Criss na antiga banda Chelsea, que chegou a lançar material pela MCA.

Penridge teria escrito “Beth” e também “Baby Driver”. Por questões políticas internas — e acordos feitos sem a presença de Simmons — o nome de Peter Criss acabou entrando nos créditos, e ainda por cima em primeiro lugar.

Para Gene, isso criou uma narrativa que se sustentou por décadas, mas não reflete os fatos.


Bob Ezrin, Mozart e o toque final

Outro nome central na história é o produtor Bob Ezrin, responsável por transformar a canção em algo totalmente fora do padrão do Kiss.

Foi Ezrin quem sugeriu o arranjo inspirado em “Yesterday”, dos Beatles, com piano e cordas, algo impensável para a banda até então. Ele também adicionou a famosa parte intermediária de piano, baseada em uma peça de domínio público atribuída a Mozart.

Resultado? Um hit inesperado, delicado e histórico.


Paul Stanley já havia dito o mesmo — e Peter rebateu

Gene Simmons não está sozinho nessa versão. Em 2014, Paul Stanley disse à Rolling Stone que Peter Criss não tinha capacidade de compor músicas e que “Beth” foi uma espécie de tábua de salvação para ele dentro da banda.

Na época, Peter Criss respondeu à altura, acusando Paul de inveja e dizendo que seus colegas nunca aceitaram o fato de ele ter participado de um grande sucesso e vencido um People’s Choice Award.


Sucesso eterno, polêmica infinita

Independentemente de quem escreveu o quê, “Beth” segue como um dos maiores momentos da história do Kiss. A canção alcançou o 7º lugar na Billboard Hot 100 em 1976, a melhor posição da banda nas paradas americanas.

No fim das contas, a música virou clássica, a discussão nunca morreu e o rock segue fazendo o que sabe melhor: barulho, drama e histórias que atravessam gerações.