A importância do KISS para a história do rock é indiscutível. Em mais de cinco décadas de estrada, a banda construiu um catálogo de clássicos, redefiniu o espetáculo ao vivo e transformou maquiagem, figurino e pirotecnia em marca registrada. Só que nem todo mundo aplaudiu esse pacote completo.
Enquanto milhões de fãs veem o KISS como sinônimo de rock de arena, outros artistas enxergam o grupo mais como um produto da indústria do entretenimento do que como essência roqueira. E, no centro de muitas dessas rusgas, está Gene Simmons, famoso por opiniões afiadas, declarações polêmicas e zero filtro. O resultado? Uma coleção respeitável de inimizades.
A seguir, uma lista reunida pela Far Out com cinco artistas que já alfinetaram — ou detonaram sem dó — o KISS.

Imagem: Reprodução
Bob Dylan
No início dos anos 1980, em plena fase religiosa, Bob Dylan perdeu a paciência durante um show na Universidade do Arizona. Vaiado por tocar músicas de cunho cristão, ele devolveu no improviso:
“Se vocês querem rock ‘n’ roll, podem ir ver o Kiss e curtir rock ‘n’ roll até o chão da pista”.
Para Dylan, o KISS simbolizava tudo o que ele não queria naquele momento: excesso, teatralidade e pouca espiritualidade. O cantor chegou a afirmar que a banda “estava a caminho do inferno” por conta das pinturas no rosto. Climinha leve, né?
Pete Townshend
O guitarrista do The Who nunca fez questão de esconder sua implicância. Para Pete Townshend, o KISS sempre soou mais como espetáculo do que como música.
“Eles parecem ter saído de uma revista Creem misturada com Las Vegas. Ou Nova Orleans. É algo muito americano, meio Mardi Gras”.
Townshend também nunca engoliu os figurinos e maquiagens:
“Sempre achei que havia uma paródia do rock no que eles faziam. Aquela coisa de disfarces… não sei. Talvez só um estudo acadêmico explicasse”.
Carlos Santana
Aqui a bronca foi direta no alvo. Carlos Santana nunca economizou críticas a Gene Simmons, questionando sua autenticidade como músico:
“Ele não é músico, é uma figura do entretenimento. O KISS é entretenimento de Las Vegas. Um músico não precisa de máscara nem de rímel”.
Depois de ouvir calado por um tempo, Simmons respondeu à altura:
“Estou farto dessas bandas que ficam olhando para os próprios pés achando que isso é um show de rock. Saiam do palco!”.
Clássico embate entre alma x espetáculo.
Nikki Sixx
O caso de Nikki Sixx, do Mötley Crüe, é curioso. O baixista sempre citou o KISS como influência, mas tudo mudou quando Gene Simmons atribuiu a morte de Prince ao uso de drogas.
Sixx não deixou passar:
“Esses comentários mostram por que ele não é mais meu herói. Gene é superestimado, sortudo e se veste como um palhaço”.
Mais tarde, Nikki tentou baixar o tom, reconhecendo a influência da banda, mas resumiu bem o clima:
“Hoje parecemos apenas um bando de velhos brigando”.
Steven Tyler
O vocalista do Aerosmith também nunca foi exatamente fã. Para Steven Tyler, o KISS dominava a arte dos clichês:
“Ouço as músicas e penso: ‘Isso é sério?’. Somos uma banda que se leva a sério. O KISS é um rock de quadrinhos, com rostos pintados e alguns hits”.
E como se não bastasse a crítica musical, Tyler ainda revelou um episódio nada amistoso:
“Um dos nossos roadies se envolveu numa briga de faca com a equipe deles. Eu os odeio desde então”.
Aí já virou coisa pessoal.
Rock, ego e espetáculo
Amado por multidões e criticado por lendas, o KISS segue firme como um dos nomes mais polarizadores da história do rock. Entre maquiagem, riffs simples e marketing agressivo, a banda provou que dá pra dominar o mundo mesmo sendo odiada por metade dos colegas.
E você, fica do lado do rock raiz ou do rock espetáculo?



