Depois de mais de 40 anos de carreira e 17 álbuns de estúdio, o Megadeth se prepara para encerrar suas atividades.
E quando o assunto é escolher as melhores músicas de uma banda com uma discografia desse tamanho, a missão já seria complicada para qualquer fã. Agora imagine para Dave Mustaine, fundador, vocalista e guitarrista que ajudou a construir boa parte da história do thrash metal.
Mesmo com dezenas de músicas no currículo, Mustaine sabe exatamente quais faixas ocupam um lugar especial para ele.
Em entrevista ao canal de YouTube do Mystic Festival, o músico foi questionado sobre quais considera as melhores músicas já lançadas pelo Megadeth.

Imagem: Joseph Okpako / Wirelmage
A resposta veio com três clássicos que praticamente dispensam apresentação:
- “Symphony Of Destruction”, do álbum Countdown To Extinction (1992);
- “Holy Wars… The Punishment Due”, de Rust In Peace (1990);
- “Peace Sells”, de Peace Sells… But Who’s Buying? (1986).
Ou seja: Mustaine foi direto ao ponto e puxou três cartuchos pesadíssimos do arsenal do Megadeth.
Por que essas três músicas?
Mustaine explicou que cada faixa representa uma característica diferente da banda e da própria visão que ele construiu como compositor.
Sobre “Symphony Of Destruction” e “Holy Wars… The Punishment Due”, o músico destacou principalmente as mensagens presentes nas letras e a necessidade de união.
Já “Peace Sells” representa outro lado do Megadeth: aquele sarcasmo afiado, o humor ácido e a vontade de mostrar que os fãs de metal também querem uma vida melhor.
“‘Symphony’ [e] ‘Holy Wars’ por causa da posição nas letras sobre como precisamos permanecer unidos. ‘Peace Sells’ porque é uma daquelas canções que mostram o humor, sarcasmo e o desejo de fãs do metal de ter uma vida melhor. Quando todo mundo canta ‘I’ll be the first in line’ [‘Serei o primeiro na fila’] quer dizer que também querem algo melhor.”
É aquele velho truque do metal: você entrega uma paulada sonora e, no meio dela, coloca uma crítica social. Só que com distorção, bateria acelerada e cara de poucos amigos.
“Peace Sells” mudou Dave Mustaine como compositor
Entre as três escolhas, “Peace Sells” parece ocupar um lugar especialmente importante na memória de Mustaine.
O músico explicou que a composição representou um verdadeiro ponto de virada em sua maneira de escrever.
Segundo ele, a faixa apresentou algo que ainda não havia explorado daquela forma: uma melodia mais marcante dentro de uma música predominantemente agressiva.
“Eu sabia quando compus a música que tinha uma parte no meio, a ponte, que era a primeira vez na qual criei algo tão melódico. Todo o resto era agressivo, de arrancar seu rosto.”
A estrutura mais cadenciada, combinada com riffs mais lentos e o sarcasmo das letras, ajudou Mustaine a encontrar uma identidade ainda mais definida.
“Com ‘Peace Sells’, o tempo era mais lento, o riff mais lento e o sarcasmo nas letras… Esse foi o começo da minha persona como frontman, cantor e letrista entrando em foco.”
Em outras palavras: “Peace Sells” não foi apenas mais uma música no catálogo do Megadeth. Para Mustaine, ela ajudou a descobrir o personagem que ele queria ser diante do microfone.
O riff de “Peace Sells” ganhou a televisão americana
A importância de “Peace Sells” ultrapassou os limites do metal.
A famosa linha de baixo da música acabou sendo utilizada como tema de abertura do programa MTV News, fazendo com que aquele riff chegasse a um público ainda maior.
Só existe um pequeno detalhe nessa história.
Segundo Dave Mustaine, ele não recebeu royalties pelo uso da música pela emissora.
A situação foi mencionada diversas vezes pelo músico ao longo dos anos e se tornou uma das histórias curiosas envolvendo um dos riffs mais reconhecíveis do Megadeth.
Três músicas, três momentos da história do Megadeth
As escolhas de Mustaine também funcionam como uma pequena viagem pela evolução da banda.
“Peace Sells”, lançada em 1986, mostra o Megadeth ainda construindo sua identidade e apresentando ao mundo a mistura de agressividade, técnica e sarcasmo que se tornaria sua assinatura.
“Holy Wars… The Punishment Due”, de 1990, representa uma fase ainda mais ambiciosa e tecnicamente brutal, durante a era de Rust In Peace.
Já “Symphony Of Destruction”, de 1992, ajudou a transformar o Megadeth em uma força ainda maior dentro do metal, com um riff que até quem não é fã do gênero provavelmente já ouviu alguma vez.
No fim das contas, se o próprio Dave Mustaine tivesse que montar uma playlist definitiva do Megadeth, aparentemente esses três clássicos já estariam garantidos.
E convenhamos: começar com “Peace Sells”, passar por “Holy Wars” e terminar com “Symphony Of Destruction” não parece exatamente uma playlist para ouvir enquanto organiza a planilha do trabalho.
É mais para quando você decide que o dia precisa de alguns riffs violentamente bons.




