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Billy Corgan diz que redes sociais mudaram seu jeito de solar

Se tem alguém que sabe que é subestimado como guitarrista solo, esse alguém é Billy Corgan. Dono de solos marcantes em clássicos como “Soma” e “Quiet”, além do retorno pesado em “Zeitgeist” nos anos 2000, ele nunca foi exatamente celebrado como “guitar hero” — mesmo tendo currículo para isso.

Agora, aos 58 anos, o frontman do Smashing Pumpkins resolveu virar o jogo. E as redes sociais têm tudo a ver com isso.

IBAGEM BILLY CORGAN

Imagem: Reprodução


Menos pirotecnia, mais emoção

Com a retomada da banda após a reunião, Corgan mudou sua abordagem nos solos ao vivo. Em vez de velocidade e técnica exibida, ele aposta em notas longas, sustentação e modulação intensa.

Em entrevista à Guitar World, explicou o raciocínio:

“Eu não toco muitos solos ao vivo hoje em dia. Se vou tocar dois ou três, preciso ser direto. O que me interessa agora é a dinâmica. As notas são menos importantes.”

A mensagem é clara: menos corrida de escalas, mais construção de atmosfera.


A era dos prodígios do YouTube

Corgan também comentou o impacto da explosão de guitarristas técnicos nas redes.

“Se você vai tocar um solo em uma banda de rock alternativo em 2025, o que está tentando dizer? Ninguém vai se importar se você toca bem. Existem 50 crianças de 10 anos tocando ‘Eruption’ no YouTube.”

Para ele, a técnica deixou de ser diferencial. O que importa é expressão. É transformar habilidade em algo que realmente comunique.

“Estou mais interessado em criar uma sensação do que em me exibir.”

Rock não é olimpíada.


Talento viral não é sinônimo de relevância

O músico também apontou uma distância entre sucesso digital e impacto cultural. Citando Metallica, Megadeth e Slayer, Corgan provocou:

“Quero ver essa geração criando músicas como as do Metallica. Quero ver isso virar cultura popular.”

Para ele, falta transformar virtuosismo em canções que marquem época.

Ainda assim, reconhece que pode estar errado e que talvez existam guitarristas que saíram do Instagram direto para grandes bandas ao redor do mundo.


O exemplo de Clapton

Para reforçar o argumento, Corgan citou Eric Clapton. Segundo ele, o motivo pelo qual todos conhecem o nome do britânico não é apenas técnica.

“Não é porque ele é um grande guitarrista. É porque criou algumas das músicas mais populares do século XX — que, por acaso, têm solos incríveis.”

A diferença está na música, não só no solo.


O recado final

Billy Corgan não abandonou a guitarra. Ele só recalibrou o foco. Em vez de competir com prodígios virais, prefere investir em emoção, dinâmica e impacto real.

No fim das contas, o solo perfeito não é o mais rápido.

É o que arrepia.