O Alabama Shakes finalmente voltou a ligar os amplificadores. Depois de mais de uma década longe dos discos, a banda apresentou na última semana I Must Be Dreaming, seu terceiro álbum de estúdio e o primeiro lançamento desde 2015.
O retorno reúne novamente Brittany Howard, Heath Fogg e Zac Cockrell, colocando o grupo de volta na estrada criativa após um longo intervalo.
E não estamos falando de qualquer banda: o Alabama Shakes acumula nada menos que quatro prêmios GRAMMY, além de uma trajetória marcada por uma mistura bastante particular de rock, soul e blues.
Agora, o trio começa um novo capítulo — e parece ter decidido não voltar exatamente do mesmo jeito que saiu.

Imagem: Bobbi Rich
Alabama Shakes mergulha no soul psicodélico
Produzido pela própria banda ao lado de Shawn Everett, produtor vencedor de seis GRAMMY Awards, I Must Be Dreaming expande a experiência sonora que já aparecia em Sound & Color.
As gravações aconteceram em Nashville, nos estúdios Sound Emporium e Blackbird Studio, onde o grupo construiu um álbum cheio de camadas, texturas e uma forte presença de soul psicodélico.
Nas novas músicas, o Alabama Shakes passeia por temas como amor, mortalidade, conexão humana e as contradições cada vez mais estranhas da vida moderna.
Em outras palavras: o mundo está meio maluco, então nada mais justo do que colocar tudo isso em um disco psicodélico.
Antes do álbum, vieram três pistas
Quem acompanha a banda já tinha recebido algumas amostras do que estava por vir.
Antes do lançamento de I Must Be Dreaming, o Alabama Shakes apresentou os singles “Another Life”, “American Dream” e “I Feel Hope Coming”.
As três faixas mostraram lados diferentes do universo emocional do novo trabalho e ajudaram a preparar o terreno para o retorno do grupo.
E se os singles serviram como aperitivo, o álbum chegou para colocar o prato inteiro na mesa.
Reencontro trouxe liberdade para criar
O novo disco começou a tomar forma depois da reunião do Alabama Shakes no fim de 2024.
Em vez de entrar no estúdio com uma fórmula pronta e um relógio correndo, a banda adotou um processo mais aberto e espontâneo.
As músicas foram desenvolvidas de maneira orgânica, permitindo que as ideias surgissem e fossem transformadas livremente durante as sessões de gravação.
O reencontro também recuperou aquela química que ajudou a transformar o Alabama Shakes em uma das bandas mais particulares do rock contemporâneo.
Só que, desta vez, o grupo resolveu abrir ainda mais a caixa de ferramentas.
Flauta, cravo e sitar entram na brincadeira
O trio ampliou sua paleta sonora com instrumentos que não costumam aparecer exatamente na lista de compras de uma banda de rock.
Entre as novidades estão flauta, cravo e sitar, além de arranjos vocais densos e cuidadosamente construídos.
O resultado é um álbum que não parece interessado em repetir o passado.
I Must Be Dreaming mantém a identidade do Alabama Shakes, mas coloca novas texturas no caminho e aumenta a dose de experimentação musical.
É como pegar aquela banda que você já conhece, abrir a porta do estúdio e dizer: “Agora vocês podem bagunçar tudo”.
O legado de Sound & Color
O novo álbum chega quase 11 anos depois de Sound & Color, lançado em 2015.
O disco anterior teve uma estreia gigantesca, chegando ao topo da Billboard 200 e conquistando três prêmios GRAMMY, incluindo o troféu de Best Alternative Music Album.
Antes disso, o Alabama Shakes já havia chamado atenção mundial com seu álbum de estreia, Boys & Girls, certificado como platina.
Foi nesse trabalho que apareceu “Hold On”, música que ajudou a apresentar a banda para uma audiência internacional e se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira.
Uma volta sem medo de experimentar
Ao longo dos anos, o Alabama Shakes construiu uma reputação sólida entre público e crítica justamente por não se encaixar perfeitamente em uma única caixinha.
Agora, com I Must Be Dreaming, a banda retorna apostando novamente na combinação entre intensidade emocional, experimentação e identidade própria.
Mais de dez anos depois, Brittany Howard, Heath Fogg e Zac Cockrell provaram que o silêncio não apagou a química que tornou o grupo especial.
Pelo contrário.
O Alabama Shakes voltou com novas ideias, instrumentos improváveis, toneladas de textura e um álbum que parece dizer que, às vezes, vale a pena esperar bastante para ouvir uma banda voltar a tocar como se nunca tivesse ido embora.




