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The Calling está de volta: banda lança primeiro álbum de inéditas em 22 anos

Se você viveu os anos 2000 com um rádio ligado, provavelmente já cantou “Wherever You Will Go” pelo menos uma vez. Agora, mais de duas décadas depois, o The Calling resolveu abrir novamente a caixa de memórias e colocar material inédito para tocar.

A banda de Los Angeles lançou Before The World Turns To Dust, seu primeiro álbum de músicas inéditas em 22 anos. Terceiro disco da carreira e sucessor de Two, de 2004, o trabalho chega em CD, vinil e formato digital pela TLG – Virgin Music Group.

O lançamento acontece 25 anos depois de Camino Palmero, álbum de estreia que transformou “Wherever You Will Go” em um fenômeno mundial e ajudou a criar uma relação especialmente forte entre o The Calling e o Brasil.

IBAGEM THE CALLINGGGGG

Imagem: Ashtronot

Alex Band ganha novos parceiros e muda a dinâmica da banda

Na linha de frente continua Alex Band, vocalista, compositor e guitarrista do grupo.

Agora, porém, ele divide a formação com Daniel Damico, responsável por guitarra solo, teclados e backing vocals, e Dom Liberati, no baixo e backing vocals.

A atual formação também representa uma mudança importante na maneira como o The Calling construiu suas músicas.

Pela primeira vez, um álbum inteiro da banda foi composto em conjunto pelos próprios integrantes. Nos trabalhos anteriores, o grupo contou bastante com compositores externos e músicos de estúdio.

Para Band, chegar a esse ponto depois de tantos anos não foi exatamente uma viagem tranquila.

“Depois de quase 20 anos compondo e criando música nova, esbarrando em obstáculo atrás de obstáculo, finalmente tenho a banda certa, com Daniel e Dom, o disco certo e a equipe certa para lançá-lo. Sinceramente, eu não sabia se esse dia chegaria.”

Depois de 22 anos, aparentemente o The Calling finalmente conseguiu apertar o botão de “novo álbum”.

“Dust” mistura amor, apocalipse e poeira cósmica

O título Before The World Turns To Dust veio de um trecho de “Dust”, primeiro single do disco:

“Before the world turns to dust / Love will find us”

Na tradução: “Antes que o mundo vire pó / O amor vai nos encontrar”.

Band começou a escrever a faixa como uma espécie de canção de amor atemporal ambientada em um cenário apocalíptico — algo que, segundo ele, parecia bastante familiar diante do mundo atual.

Só que a música acabou ganhando uma dimensão ainda maior.

Durante o processo de composição, o vocalista estava estudando física quântica e astrofísica, o que mudou sua interpretação da faixa.

A ideia passou a envolver a origem do ser humano na poeira cósmica e a possibilidade de que todos estejam conectados pela mesma energia.

Band chegou até a levantar uma hipótese digna de ficção científica: talvez o amor seja capaz de ampliar essa conexão em escala subatômica e até ultrapassar espaço e tempo.

Rock-pop, romance e física quântica. O The Calling definitivamente não voltou brincando.

Clipe de “Dust” aposta em amantes separados por universos

O videoclipe de “Dust” foi dirigido por Tom Flynn e traz Alex Band ao lado da atriz Katelynn E. Newberry, que possui mais de 100 filmes no currículo.

A história acompanha dois amantes que não conseguem se encontrar.

E o motivo fica propositalmente aberto à interpretação.

Eles podem estar separados porque um deles morreu, porque os dois morreram ou até porque vivem em universos paralelos.

Segundo Band, a ideia central é acreditar que o amor pode ser maior do que aquilo que separa as pessoas.

O roteiro foi escrito pela esposa do vocalista, e as gravações aconteceram na propriedade da família de Band, em Cleveland, durante uma nevasca inesperada.

Porque aparentemente até o clima resolveu participar do clipe.

Retorno às rádios e mais de 10 milhões de ouvintes no Spotify

O lançamento de “Dust” também marcou o retorno do The Calling às rádios americanas no formato Hot AC depois de mais de 20 anos.

A música alcançou a 32ª posição na parada da Mediabase já em sua segunda semana.

E o público digital também respondeu.

O The Calling ultrapassou a marca de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify, mostrando que aquela geração que cresceu ouvindo a banda aparentemente não jogou seus fones fora.

The Calling não quer correr atrás de tendências

Produzido por John Fields e gravado entre Nashville e Minneapolis, o novo álbum não tenta transformar o The Calling em outra banda.

A proposta é justamente continuar fazendo aquilo que o grupo sabe fazer.

“Se você gosta do The Calling, vai gostar disso”, resumiu Band.

Segundo o vocalista, o disco segue a mesma linha construída pela banda desde o começo: rock-pop com grandes melodias, músicas capazes de levantar o astral e, principalmente, provocar alguma reação em quem escuta.

Nada de tentar correr atrás da tendência da semana.

“Não estamos tentando seguir tendências nem mudar nosso som.”

Band também atribuiu aos fãs parte importante da existência do novo álbum.

Segundo ele, foram os admiradores que mantiveram o The Calling vivo durante todos esses anos, mesmo sem abandonar a banda.

O disco ainda resgata duas músicas que os fãs já conheciam: “Stand Up Now”, lançada de maneira independente em 2024, e “Hold On Me”, que já fazia parte dos shows.

Nova formação encontrou química depois de quatro anos

Alex Band, Daniel Damico e Dom Liberati estão trabalhando juntos há aproximadamente quatro anos.

De acordo com Band, a química entre os três continua crescendo, tanto no processo de composição quanto no estúdio e nos shows.

Damico, inclusive, conhece Band há mais de duas décadas e toca com o The Calling de maneira intermitente desde o começo dos anos 2000.

Os dois compartilham uma paixão pelo rock clássico e pelas bandas que dominaram as décadas de 1980 e 1990.

Liberati acrescentou uma influência mais pop ao trio e também possui carreira solo.

Band conta que imaginava que Daniel e Dom trabalhariam bem juntos, mas não esperava que a parceria se transformasse em uma amizade tão próxima.

Para ele, tocar ao vivo e sair em turnê virou uma experiência coletiva.

Brasil continua sendo parte importante da história

Se existe um país que tem motivos para comemorar o retorno do The Calling, é o Brasil.

“Wherever You Will Go”, composta por Alex Band quando ele tinha apenas 15 anos, chegou ao Top 5 da Billboard Hot 100 e permaneceu por impressionantes 23 semanas consecutivas no topo da parada Adult Pop Airplay.

A Billboard ainda escolheu a música como a número 1 do formato na década.

Hoje, o hit já ultrapassa 1 bilhão de streams no Spotify.

A banda também soma mais de 10 milhões de discos vendidos mundialmente, enquanto suas músicas chegaram a eventos gigantes, incluindo o encerramento dos Jogos Olímpicos e a abertura do Oscar.

No Brasil, a história foi ainda mais forte.

Camino Palmero recebeu certificação de disco de platina, com mais de 125 mil cópias vendidas por aqui. Já “Wherever You Will Go” apareceu em trilhas de novelas como Malhação e Coração de Estudante.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Band resumiu a relação com o público brasileiro:

“As pessoas e os fãs do Brasil são muito apaixonados e leais. É reconfortante subir ao palco e saber que eles estão com você, que conhecem a letra de cada música.”

Ou seja: o brasileiro não apenas ouviu The Calling. O brasileiro decorou.

The Calling já colocou o novo álbum na estrada

Para comemorar o lançamento de Before The World Turns To Dust, o grupo realizou um show no Dreamland, em Malibu, Califórnia, no dia 25 de setembro.

A turnê que leva o mesmo nome do álbum continua com três apresentações no Egyptian Theatre, em Park City, Utah, entre os dias 16 e 18 de outubro.

Depois de 22 anos sem um álbum de inéditas, o The Calling finalmente está de volta à estrada com material novo — mas sem abandonar as músicas que ajudaram a transformar a banda em um dos nomes marcantes do rock-pop dos anos 2000.

Confira as 15 faixas de “Before The World Turns To Dust”

  1. Stand Up Now
  2. Finally
  3. Dust
  4. Don’t You Cry
  5. Runyon Skies
  6. Hold On Me
  7. Strange
  8. Stay
  9. 11th Hour
  10. Won’t Let You Down
  11. Heaven
  12. Crystal Ball
  13. Saudade
  14. The Fool That You Are
  15. How Long

Depois de duas décadas de silêncio em estúdio, o The Calling voltou com um disco que aposta justamente naquilo que fez a banda conquistar tantos fãs: melodias grandes, rock-pop, emoção e aquele tipo de música que começa baixinho e, quando você percebe, já está cantando junto.

E sim: “Wherever You Will Go” continua tendo companhia.