O Black Sabbath poderia ter ganhado mais um capítulo de estúdio com sua formação original. Poderia. Mas Tony Iommi decidiu que era melhor deixar a história como estava.
O lendário guitarrista revelou que recusou, no início da década de 2020, uma proposta para gravar um novo álbum ao lado de Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward. A ideia era criar um sucessor direto de “13”, lançado em 2013.
Quem apareceu com a proposta foi o produtor Andrew Watt, responsável posteriormente pelos dois últimos álbuns solo de Ozzy Osbourne, “Ordinary Man” e “Patient Number 9”.
Em entrevista à revista Classic Rock, Iommi explicou por que não ficou exatamente empolgado com a possibilidade de voltar ao estúdio com a formação clássica.

Imagem: Redes Sociais do artista
“Já tínhamos feito o ‘13’”
Iommi contou que conheceu Andrew Watt durante o trabalho do produtor com Ozzy. Segundo o guitarrista, Watt estava bastante empolgado com a possibilidade de produzir um novo disco do Sabbath.
O problema é que Iommi não estava convencido de que repetir a fórmula seria uma boa ideia.
“Eu conheci Andrew Watt quando ele estava produzindo o Ozzy. Ele estava muito a fim e um pouco animado demais. Ele também não sabia como era trabalhar com o Sabbath original, trabalhar com o [baterista] Bill Ward. Além disso, já tínhamos feito o ’13’, e eu não gostava da ideia de ‘agora aqui está outro álbum’”, explicou o músico.
Traduzindo do idioma do rock: depois de quase cinco décadas de história, talvez não fosse necessário colocar a mesma banda novamente dentro de um estúdio apenas para provar que ela ainda conseguia fazer barulho.
“13” já tinha deixado algumas cicatrizes
A cautela de Tony Iommi com produtores externos não surgiu do nada.
Apesar de “13” ter feito história ao colocar o Black Sabbath pela primeira vez no topo das paradas dos Estados Unidos, o processo de produção comandado por Rick Rubin não foi exatamente uma experiência tranquila para todos.
Geezer Butler, por exemplo, já relatou frustração com a orientação recebida durante as sessões, incluindo a sugestão de que os integrantes deveriam “esquecer que eram uma banda de metal”.
Ozzy também admitiu que não aproveitou totalmente o processo. O vocalista chegou a demonstrar incômodo com a falta de controle criativo que a banda tinha experimentado durante seus primeiros anos.
E Iommi também teve seus próprios embates com Rubin.
O produtor insistia no uso de amplificadores vintage de 1968, em vez do equipamento que o guitarrista já havia consagrado ao longo da carreira. Para alguém responsável por alguns dos riffs mais importantes da história do heavy metal, mexer no equipamento não era exatamente uma sugestão recebida com aplausos.
O álbum também não teve Bill Ward
As dificuldades não ficaram restritas à produção.
“13” também marcou uma ruptura importante na formação original do Black Sabbath. Bill Ward não participou das gravações por causa de disputas contratuais.
Para assumir a bateria no disco, a banda contou com Brad Wilk, do Rage Against the Machine.
Ou seja: quando Iommi recebeu a ideia de simplesmente juntar todo mundo novamente para gravar outro álbum, havia bastante coisa para considerar além de ligar os amplificadores e começar a tocar.
O último encontro aconteceu no palco
Se um novo disco não saiu do papel, os fãs ainda tiveram a oportunidade de assistir ao verdadeiro capítulo final da formação original do Black Sabbath.
Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Bill Ward e Geezer Butler se reuniram para o último show da banda com sua formação clássica.
O evento, batizado de “Back To The Beginning”, aconteceu em 5 de julho de 2025, no estádio Villa Park, em Birmingham, na Inglaterra.
Foi a despedida definitiva de uma formação que ajudou a transformar o heavy metal em um dos maiores gêneros da história do rock.
E, nesse caso, não precisava nem de amplificador vintage de 1968 para entender a importância do momento.
Ozzy morreu semanas depois da despedida histórica
Pouco mais de duas semanas depois daquele encontro histórico, o mundo do rock sofreu uma perda gigantesca.
Ozzy Osbourne morreu em 22 de julho de 2025, aos 76 anos, após sofrer um ataque cardíaco em sua residência em Buckinghamshire, na Inglaterra.
A morte aconteceu pouco tempo depois da apresentação que marcou sua despedida dos palcos ao lado dos companheiros do Black Sabbath.
Assim, o capítulo que começou com quatro músicos de Birmingham ajudando a moldar o heavy metal terminou de uma maneira que parece roteiro de filme: a formação original voltou a dividir o palco uma última vez, diante dos fãs, antes de a história de Ozzy chegar ao fim.
Um novo álbum poderia até ter sido mais uma página. Mas, para Tony Iommi, talvez a história já tivesse encontrado seu ponto final perfeito.




