O Slipknot voltou a colocar fogo no parquinho. A banda lançou, na última semana, “Arsenal”, sua primeira música inédita em mais de três anos. Para completar o pacote, a faixa ganhou um videoclipe dirigido por M. Shawn Crahan, o Clown, e estrelado pelo ator Jackson White.
Se alguém achou que os mascarados de Iowa tinham perdido a disposição para causar estrago, “Arsenal” chega para mandar esse pensamento direto para o mosh pit.

Imagem: Jonathan Weiner
Quase 30 anos depois, a máquina continua funcionando
A cultura criada pelo Slipknot ultrapassou faz tempo a ideia de uma banda formada por nove caras de Iowa usando máscaras e macacões para desafiar o mundo.
O grupo construiu uma identidade que deixou marcas no underground, influenciou artistas que hoje comandam grandes festivais de rock e pop pelo planeta e atravessou diferentes gêneros e subgêneros da música.
A trajetória começou no Meio-Oeste dos Estados Unidos e ganhou dimensões globais sem que a banda precisasse abandonar aquilo que a tornou reconhecível desde o início.
Entre mudanças de formação, transformações na indústria e quase três décadas de carreira, o Slipknot continua sendo uma referência para músicos que decidiram seguir por caminhos mais pesados e pouco interessados em pedir licença.
“Arsenal” junta tudo que o Slipknot sabe fazer de mais barulhento
Musicalmente, “Arsenal” aposta em vários ingredientes que ajudaram a construir a assinatura da banda: vocais agressivos, riffs pesados, teclados marcantes e uma produção densa e explosiva.
Em determinado momento, Corey Taylor dispara: “Eu lutei contra a p… de um deus e o deus perdeu”.
A faixa passeia por elementos de metal, punk e hip-hop, criando uma mistura pesada e caótica na medida certa. É aquele tipo de música que parece ter sido montada com guitarra, bateria, raiva acumulada e zero interesse em ser comportada.
O resultado também evidencia a experiência adquirida pelo grupo ao longo de quase 30 anos. A pancadaria continua lá, mas agora existe uma banda com décadas de estrada sabendo exatamente como transformar essa intensidade em música.
Corey Taylor dispara contra o tempo — e contra ele mesmo
A letra também carrega uma boa dose da provocação característica de Corey Taylor.
Em outro trecho, o vocalista canta: “Eu sei que sou uma fraude e que meu tempo já passou, mas, filho da p…, eu sou uma .45, não uma Mach 10”.
A frase combina ironia, provocação e autocrítica, enquanto a música aborda a relação do Slipknot com as tendências e as mudanças que atravessaram a indústria musical durante sua trajetória.
Essa irreverência aparece não apenas na letra, mas também na interação de Taylor com os demais integrantes, em meio ao peso dos instrumentos.
É o Slipknot olhando para quase três décadas de carreira e, aparentemente, dizendo que ainda não está muito interessado em se comportar como uma banda veterana.
Sobreviveu ao caos e continua inquieto
A história do Slipknot também foi marcada por dificuldades e tragédias pessoais enfrentadas pelos integrantes ao longo dos anos, muitas delas compartilhadas com uma base de fãs que acompanhou a banda durante os momentos mais complicados.
Mesmo depois de alcançar o posto de uma das bandas de rock mais influentes do século XXI, o grupo preservou a inquietação que sempre esteve no centro de sua identidade.
Foi justamente essa disposição para experimentar, mudar e ultrapassar limites que ajudou a manter o Slipknot relevante em diferentes momentos da música pesada.
“Arsenal” mostra que o Slipknot ainda não quer ficar parado
Em “Arsenal”, essa inquietação continua evidente.
A música recupera características que se tornaram marcas registradas do Slipknot, mas também mostra uma banda disposta a testar novas combinações e continuar avançando.
O resultado é uma faixa que olha para o passado sem ficar presa a ele. O peso está presente, a identidade continua intacta e a vontade de experimentar segue funcionando como combustível.
Depois de mais de três anos sem uma música inédita, o recado de “Arsenal” parece simples: o Slipknot pode até ter quase três décadas de história, mas ainda não está pronto para pendurar as máscaras.




