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Ramones voltam ao cinema em versão 4K e mostram que o punk também tinha seus barracos

Os Ramones estão preparando mais uma volta ao palco. Só que, desta vez, o palco tem tela grande, poltrona e provavelmente alguém reclamando porque o volume do cinema está baixo.

O clássico documentário End of the Century: The Story of the Ramones, lançado originalmente em 2003, vai ganhar uma nova restauração em 4K.

A produção já está disponível em plataformas de streaming e também receberá uma nova edição física.

Ou seja: os Ramones estão fazendo aquilo que sabem fazer melhor desde os anos 70 — voltar, ocupar espaço e deixar uma quantidade considerável de gente falando sobre eles.

IBAGEM RAMONES

Imagem: Mick Rock (© Mick Rock)

Do Queens para o mundo

Dirigido por Michael Gramaglia e Jim Fields, End of the Century acompanha a trajetória dos Ramones desde o surgimento da banda no Queens, em Nova York, em 1974.

Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone ajudaram a moldar a cena do lendário CBGB e estabeleceram uma identidade musical que parecia simples na teoria, mas foi revolucionária na prática: músicas curtas, rápidas, diretas e sem muita paciência para firula.

A banda nunca chegou ao topo da Billboard, mas isso não impediu que sua influência explodisse em escala mundial.

Os Ramones ajudaram a transformar o punk rock em um fenômeno internacional e passaram 22 anos em uma intensa rotina de turnês, construindo uma carreira cuja importância cultural acabou sendo muito maior do que os números comerciais sugeriam.

Em resumo: vender milhões não era exatamente o forte deles. Influenciar praticamente todo mundo que veio depois? Aí a história muda completamente.

Por trás das jaquetas de couro, o caos

Se você está esperando um documentário com quatro caras felizes tocando guitarra e dizendo que tudo sempre foi maravilhoso, pode tirar o disco da vitrola.

End of the Century mergulha justamente no lado mais complicado da história.

A produção aborda conflitos internos, desgaste das turnês, relações quebradas e disputas pessoais que foram se acumulando ao longo dos anos.

Um dos pontos centrais é a complicada relação entre Joey Ramone e Johnny Ramone, marcada por uma tensão que acabou se tornando parte importante da história da banda.

O documentário também acompanha os caminhos de Joey e Dee Dee Ramone depois da separação, ajudando a desmontar um pouco a imagem quase cartunesca dos Ramones.

O nome era compartilhado. A camiseta era praticamente uniforme. A música parecia simples.

A convivência? Bom… essa tinha bem mais distorção.

O punk por trás do mito

Ao mostrar ressentimentos, brigas e disputas internas, o filme coloca lado a lado duas versões dos Ramones: a imagem pop, divertida e facilmente reconhecível e a realidade de quatro músicos que nem sempre conseguiram viver em perfeita harmonia.

É justamente essa contradição que torna o documentário tão interessante.

Por trás de músicas rápidas e refrões grudentos existia uma história cheia de tensão, desgaste e decisões difíceis.

50 anos de Ramones ganham restauração em 4K

O relançamento chega em 2026, ano que marca os 50 anos do álbum de estreia dos Ramones, lançado em 1976.

A nova restauração em 4K promete entregar uma imagem mais nítida e atualizada do material original, levando o documentário para uma nova geração de espectadores.

A Magnolia Pictures ainda não revelou as datas exatas das sessões nos cinemas nem do lançamento digital.

Quando a versão digital chegar, será possível alugar ou comprar o filme, algo inédito para a produção.

Assim, uma obra que durante anos esteve mais ligada ao circuito físico e às edições em DVD ganha uma nova porta de entrada para quem descobriu os Ramones muito depois da época em que quatro acordes já eram suficientes para causar uma pequena revolução.

Punk ganha tributo com supertime em Los Angeles

As celebrações também vão sair das telas.

No dia 30 de agosto, o Cretin Family se apresenta no Hollywood Forever Cemetery, em Los Angeles, reunindo nomes de peso do punk e do rock.

A formação terá Tim Armstrong, Billie Joe Armstrong, Travis Barker e CJ Ramone, músico que entrou para os Ramones depois de substituir Dee Dee Ramone.

O evento será dedicado ao repertório clássico da banda e reforçará a influência que o grupo continua exercendo décadas depois.

Cinco décadas após o primeiro álbum, os Ramones continuam presentes em camisetas, playlists, bandas novas e na memória de quem descobriu que não é preciso tocar uma música de oito minutos para fazer história.

Às vezes, bastam três acordes, uma jaqueta de couro, muita atitude e alguém gritando “Hey! Ho! Let’s Go!”.