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Mike Portnoy ouviu o Dream Theater sem ele? Baterista abre o jogo

Foram 13 anos longe do Dream Theater. Tempo suficiente para a banda seguir em frente, lançar discos, ganhar novos fãs e entregar a bateria nas mãos do absurdamente técnico Mike Mangini. Mas a pergunta que sempre pairou no ar finalmente ganhou resposta direta: Mike Portnoy ouviu os álbuns do Dream Theater gravados sem ele?

A resposta é curta: sim.
A explicação, nem tanto — e rende história boa.

IBAGEM MIKE PORTNOY

Imagem: Reprodução


“Eu sempre dava uma conferida”

Em entrevista ao Ibagenscast, Portnoy contou que, durante todo o período afastado, nunca ignorou completamente o que sua antiga banda estava fazendo.

“Durante todos esses 13 anos, eu sempre ouvia quando o Dream Theater lançava um álbum novo. Pelo menos uma vez. Só para saber o que estava acontecendo”, revelou.

A curiosidade, segundo ele, bateu forte logo no primeiro disco sem sua presença. Afinal, até então, nunca tinha existido um Dream Theater sem Mike Portnoy.

“Quando aquele primeiro álbum saiu, eu fiquei muito, muito curioso. Era algo totalmente novo pra mim.”


Ouvir é uma coisa. Mergulhar é outra

Apesar de acompanhar os lançamentos à distância, Portnoy admite que só foi realmente se aprofundar nos discos da era Mangini depois que voltou oficialmente à banda.

O motivo? Trabalho.

“Quando precisei montar o setlist e escolher músicas daquele período, aí sim eu mergulhei de verdade nesses álbuns”, explicou.
Segundo ele, isso aconteceu recentemente, nos últimos dois anos, quando passou a ouvir tudo com outro olhar — ou melhor, outro ouvido.

“Hoje consigo apreciá-los com uma perspectiva completamente diferente.”


Dream Theater sem Portnoy? “Parecia um divórcio”

Nem tudo, porém, foi fácil de digerir. Portnoy comparou o período longe da banda a um divórcio emocionalmente pesado.

“Foi realmente difícil. É como ver sua ex-esposa com um novo marido”, disparou.
“Doeu ver a minha banda com outra pessoa.”

Por isso, durante muitos anos, ele manteve distância emocional daquela fase. Era autopreservação pura.

Agora, de volta ao posto, a postura mudou.

“Quero conhecer essa fase como os fãs conhecem. Quero respeitá-la, porque sei que muita gente ama essa era.”


Mike Mangini: técnica absurda e estilos diferentes

Quando o assunto vira Mike Mangini, Portnoy não economiza nos elogios — e também na honestidade.

“O Mangini é um baterista inacreditável. Tecnicamente, ele faz coisas que eu não consigo fazer. E eu sou o primeiro a admitir isso.”

As comparações constantes entre os dois? Portnoy corta sem dó:

“É como comparar maçãs com laranjas.”

Segundo ele, enquanto Mangini é extremamente metódico e técnico, Portnoy se define como mais impulsivo, tocando no calor do momento.

“São estilos completamente diferentes. Essas comparações não são justas.”


“Eu sei quem eu sou — e está tudo bem”

Portnoy também respondeu às críticas clássicas de internet.

“As pessoas dizem: ‘O Portnoy nunca conseguiria tocar isso ou aquilo’. E estão certas. Eu provavelmente não conseguiria tocar metade dessas coisas.”

E o veredito?

“Eu não me importo.”

Com uma referência digna de rockstar, ele resume:

“Como o Popeye dizia: eu sou quem eu sou. Sei o que trago para a banda — e é muito mais do que só bateria.”


Respeito acima de tudo

No fim das contas, Portnoy deixa claro que a era Mangini não foi um erro, muito menos um capítulo descartável.

“Mangini fez um trabalho excelente durante todos aqueles anos”, afirmou.
“Tenho muito respeito por isso.”

Agora, com Portnoy de volta ao trono, o Dream Theater carrega duas histórias, dois estilos e uma discografia que reflete exatamente isso: evolução, choque, separação — e reconciliação com barulho de bateria progressiva.