DESTAQUESNOTÍCIAS

Ex-Megadeth solta o verbo: David Ellefson detona novo disco e diz que soa como “álbum solo do Dave”

O Megadeth lançou recentemente seu álbum homônimo, tratado por muitos como o capítulo final da banda liderada por Dave Mustaine, que já anunciou a aposentadoria do grupo. Mas quem não comprou totalmente essa ideia foi David Ellefson, ex-baixista histórico da banda, que resolveu falar — e falou bastante.

Durante um novo episódio de seu programa, Ellefson comentou o disco, relembrou velhas feridas, cutucou o Metallica e deixou claro: para ele, o álbum não soa exatamente como Megadeth.

IBAGEM DAVID ELLEFSON

Imagem: Reprodução

“Dave reclamava do Kirk… agora está tocando os solos dele”

Um dos pontos que mais incomodaram Ellefson foi a regravação de “Ride The Lightning”, clássico do Metallica, presente no novo trabalho. Segundo ele, a situação tem uma ironia difícil de ignorar.

“O engraçado é que o Dave ficava bravo com o Kirk Hammett por tocar solos de ‘Kill ’Em All’… e agora é o Dave tocando solos do Kirk”, disparou.

Ellefson ainda puxou uma memória dos anos 80, direto de uma festa em Orange County, reduto da velha guarda do thrash:

“Lembro de ouvir ‘Ride The Lightning’ pela primeira vez e o Dave dizendo: ‘Eles roubaram meu riff!’.”

Segundo ele, aquele riff específico já existia em ideias que Mustaine tocava em apartamento e que poderiam até ter relação com versões iniciais de músicas do Megadeth. Para Ellefson, fica claro que Mustaine teve participação criativa, mas não no nível que hoje costuma ser sugerido.

“Se fosse uma música pronta, estaria no ‘Kill ’Em All’. Mas não estava.”


Metallica consolidando identidade, Megadeth seguindo outro caminho

Ellefson também destacou a diferença de estilos entre James Hetfield e Dave Mustaine como letristas.

“Em ‘Ride The Lightning’, você ouve o James se firmando como compositor. Ele escreve de um jeito muito diferente do Dave.”

Para ele, isso ajuda a explicar por que o Metallica seguiu um caminho e o Megadeth outro — ambos fortes, mas distintos.


E o novo disco do Megadeth? “Ouvi como fã… mas não me convenceu”

Falando diretamente do álbum mais recente, Ellefson adotou um tom inicialmente respeitoso.

“Eu ouvi o disco como um ouvinte, até como fã do Megadeth e das habilidades do Dave.”

Ele elogiou a capacidade de Mustaine como compositor e letrista, ressaltando que suas letras sempre chamaram atenção.

“No metal, muitas vezes você só escuta riffs e ignora o vocal. Mas o Dave escreve letras que fazem você querer ouvir o que ele está dizendo.”


“Isso não soa como Megadeth pra mim”

A parte mais pesada da crítica veio depois. Para Ellefson, o disco carrega muito mais a cara de um projeto solo do que de uma banda.

“Eu ainda vejo isso como a aposentadoria do Dave. O Megadeth sempre foi a nossa banda. Então acho errado ele simplesmente tomar posse disso como se fosse só dele.”

Ele revelou ainda que já sentia, nos bastidores, que não faria parte desse último capítulo — inclusive após uma conversa curiosa com uma vidente, que teria antecipado sua exclusão do álbum.

“Ele tirou minhas músicas, tirou minhas linhas de baixo. Então ficou claro.”


Nome pesa, mas o som denuncia

Para Ellefson, o uso do nome Megadeth é estratégico — e poderoso.

“Coloque ‘Megadeth’ na capa e um milhão de pessoas prestam atenção.”

Mas musicalmente, ele não se convence:

“Quando eu ouço, parece um disco solo do Dave. É o Dave com novos músicos, em outra fase. Está escrito Megadeth, mas, honestamente, não soa como Megadeth pra mim.”


Opinião final: respeito, mas sem aplausos

Ele encerra deixando claro que não há ódio gratuito, apenas uma visão honesta de quem ajudou a construir a história da banda.

“É só a minha opinião. Soa como o Dave fazendo o que o Dave faz — e tudo bem. Mas, pra mim, esse é o álbum de aposentadoria do Dave, não do Megadeth.”

Clima de despedida, farpas antigas reacendidas e um legado gigante em jogo. Se é o último disco ou não, o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: a treta nunca se aposenta no thrash metal.