O NME Awards 2016 entregou exatamente o que prometia: caos, barulho e um daqueles momentos que ninguém esquece. No meio da apresentação do Bring Me The Horizon, o vocalista Oli Sykes resolveu transformar o evento em um verdadeiro episódio de rock n’ roll raiz ao invadir a mesa do Coldplay, literalmente.
O episódio, inesperado até para os padrões da premiação britânica, rapidamente virou manchete mundial e entrou para a lista dos momentos mais absurdos e comentados da década.

Imagem: Reprodução
O palco não foi suficiente
Convidado para se apresentar no NME Awards — evento famoso por fugir do engessamento das grandes cerimônias — o Bring Me The Horizon tocava “Happy Song” quando Oli Sykes decidiu que o palco era pequeno demais.
No meio da música, o vocalista desceu, atravessou a plateia e subiu em cima da mesa onde estava o Coldplay, que acompanhava o show tranquilamente… até aquele momento.
Cantando, Sykes pisoteou a mesa, chutou com força e quebrou parte da estrutura. Copos, pratos e bebidas voaram. O clima virou de festa para “o que está acontecendo aqui?” em segundos.
Os integrantes do Coldplay não reagiram fisicamente e apenas se afastaram, enquanto a banda seguia tocando como se aquilo fizesse parte do roteiro.
A suposta treta por trás do caos
Nada daquilo surgiu do nada. Meses antes, em 2015, o Bring Me The Horizon havia lançado “Sempiternal”, álbum que marcou uma nova fase da banda e ficou fortemente associado a um símbolo geométrico minimalista.
Pouco tempo depois, o Coldplay revelou a capa de “A Head Full of Dreams”, com uma estética que muitos fãs — e integrantes do BMTH — consideraram semelhante demais.
Embora nunca tenha havido processo judicial, a acusação de plágio visual ganhou força nas redes sociais e na imprensa especializada. O Coldplay, por sua vez, nunca respondeu oficialmente às críticas.
No universo irreverente do NME Awards, a performance de Oli Sykes foi vista como uma resposta visual, direta e nada sutil.
“Não foi protesto”… mas foi lembrado
Após o episódio, Oli Sykes comentou o ocorrido nas redes sociais — posts que acabaram apagados depois. Ele negou que a ação fosse um protesto agressivo e disse que apenas tentou se aproximar da banda, alegando problemas no retorno de som.
A explicação não convenceu todo mundo, mas também não apagou o impacto. As imagens circularam rapidamente e o momento virou um clipe obrigatório em retrospectivas do NME Awards.
Prêmios, ironia e legado
Apesar da confusão, a noite terminou com troféus para ambos os lados:
-
Bring Me The Horizon levou o prêmio de Inovação
-
Coldplay foi homenageado com o Godlike Genius Award
Ironicamente, enquanto um recebia um título quase divino, o outro garantia seu lugar no folclore do rock moderno — com direito a mesa quebrada.
Com o passar dos anos, o episódio passou a ser lembrado menos como uma rivalidade real e mais como um símbolo da cultura alternativa britânica, onde performances caóticas ainda têm espaço.
Dois mundos, uma premiação
O incidente também escancarou o contraste entre as bandas:
De um lado, o Coldplay, já consolidado como gigante do pop rock global.
Do outro, o Bring Me The Horizon, em plena transição para o mainstream, mas ainda carregando a atitude confrontacional do metalcore.
No fim das contas, o NME Awards 2016 provou que, às vezes, o rock não precisa de discurso — basta subir na mesa certa.



