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Por que Michael Kiske saiu do Helloween nos anos 90? A treta que abalou o power metal

Dono de uma das vozes mais icônicas do power metal, Michael Kiske virou sinônimo de Helloween no auge da banda. Foi com ele no microfone que os alemães conquistaram o mundo, lotaram arenas e definiram o som de uma geração inteira. Mas, ainda nos anos 90, os fãs levaram um verdadeiro soco no estômago: Kiske estava fora da banda, deixando uma legião de órfãos vocais pelo caminho.

Anos depois, em entrevistas à Classic Rock, a história começou a ganhar contornos mais claros — e bem menos glamourosos.

IBAGEM MICHAEL

Imagem: Reprodução


Como Kiske entrou no Helloween (e por que isso já começou errado)

Tudo começou quando Kai Hansen, fundador, guitarrista e então vocalista da banda, percebeu que o plano de cantar e tocar ao mesmo tempo simplesmente não estava funcionando. Segundo o próprio Hansen:

“Nunca me considerei um cantor. Eu gritava. Não tinha disciplina. Beber e fumar muito não ajuda a cantar bem.”

A solução foi chamar Michael Kiske para assumir os vocais principais. O problema? Ele não era exatamente do tipo “obedeça e cante”.

“O Kiske sempre foi muito opinativo. Não era o tipo de cara para quem você dizia ‘cante isso’. Se não gostasse, falava na lata.”

Tradução livre: talento absurdo, personalidade forte e zero paciência para ordens.


“I Want Out”: o grito que virou profecia

Com o sucesso explodindo, uma música começou a soar como um alerta vermelho piscando: “I Want Out”. A faixa era praticamente uma confissão pública de Kai Hansen, que já planejava pular fora do Helloween.

“Era sobre tudo: má gestão, gente dizendo onde estar, o que fazer, discussões intermináveis… Eu só queria tocar rock.”

Segundo Hansen, o clima interno já era estranho: três membros de um lado, Kiske e Weikath do outro. E não era só sobre música.

“Eles discutiam por horas sobre se gema de ovo fazia bem ou mal. E levavam isso pra música também. Um queria ser Beatles, outro queria ser Elvis.”

Sim, o Helloween quase implodiu por causa de… ovos.


A saída de Kai Hansen e o início do pesadelo

Quando Kai deixou a banda, o clima azedou de vez. Kiske admite que foi ingênuo ao subestimar o impacto disso:

“Achei que não seria um problema tão grande. Ele era importante, mas não era a banda inteira. Eu estava errado. Tudo virou um pesadelo.”

As tensões cresceram, a criatividade evaporou e o ambiente ficou tóxico.


O disco fraco, o estúdio caro e a demissão inevitável

O estopim final foi um álbum mal recebido, gravado em um estúdio caríssimo na Dinamarca.

“Gastamos uma fortuna, mas não havia inspiração nenhuma.”

A relação entre Kiske e Michael Weikath já estava irremediavelmente quebrada. O vocalista queria sair, mas não teve coragem. Acabou sendo demitido — embora admita que ajudou a empurrar a situação para esse desfecho.

“Quando você diz que vai embora depois do disco, o que espera que aconteça?”

Michael Kiske deixou oficialmente o Helloween em 1993.


Distância do metal, mágoa pública e acusações nos bastidores

Após a saída, Kiske tentou se afastar do heavy metal, incomodado com tudo o que aconteceu.

“Eu estava irritado. Magoado. Não queria mais nada com isso.”

Do outro lado, Weikath acusou o ex-colega de ter abandonado deliberadamente o metal — algo visto como pecado mortal pelos fãs da banda.

“Venderam uma versão distorcida da história para agradar o público. Não existe manual para estar numa banda.”


Michael Kiske no Iron Maiden? O mito explicado

Durante anos, rumores ligaram Kiske à vaga deixada por Bruce Dickinson no Iron Maiden. O próprio cantor trata isso como lenda urbana.

“Nunca houve conversa nenhuma.”

A conexão existia: mesma gestão, mesmos escritórios, convivência próxima. Mas proposta real? Zero.

“Um alemão substituindo o Bruce no Maiden? Não acho que funcionaria. Os britânicos são muito nacionalistas.”

Segundo Kiske, no máximo seu nome pode ter passado pela cabeça de Steve Harris — se é que passou.


Por que Kiske acha que não daria certo no Maiden

O vocalista é direto: bandas e vozes são conexões emocionais.

“Quando você cresce com uma banda, troca de vocalista é sempre difícil.”

Para ele, mudanças só funcionam quando não há tentativa de imitação — como aconteceu com o próprio Helloween ao escolher Andi Deris.

“Ele não tentou me copiar. Ele é um leão. Assumiu o controle e salvou a banda.”


O reencontro que ninguém imaginava

Em 2016, o improvável aconteceu: Michael Kiske voltou ao Helloween, ao lado de Kai Hansen e Andi Deris, selando uma das reuniões mais celebradas da história do metal.

E agora, décadas depois de brigas, discos fracos, ovos no ônibus e egos inflados, o Helloween retorna ao Brasil para um show único em São Paulo.

O tempo passou, as feridas cicatrizaram — e o power metal venceu.