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Rock Geek: Funcionários da Ubisoft admitem constrangimento em trabalhar na empresa

A última semana foi tudo, menos tranquila, dentro da Ubisoft. A empresa anunciou cancelamento de projetos, demissões em massa e mais uma reestruturação interna na tentativa de estancar anos seguidos de prejuízo. O efeito, porém, foi o oposto do esperado: ações em queda, moral no chão e um sentimento cada vez mais comum entre funcionários — vergonha de dizer onde trabalham.

Relatos internos enviados ao site Kotaku mostram que o clima nos fóruns e canais corporativos da empresa está longe de ser saudável. O detalhe mais amargo? A maioria dos mais de 15 mil funcionários soube das mudanças ao mesmo tempo que o público, reforçando a sensação de déjà vu corporativo.

IBAGEM UBISOFT

Imagem: Reprodução


Um filme repetido desde 2019

Para muitos desenvolvedores, a situação atual soa assustadoramente familiar. Em 2019, após o fracasso comercial de Ghost Recon Breakpoint, a Ubisoft prometeu reformas profundas, novas práticas de gestão e um futuro mais estável. Passados mais de cinco anos, o roteiro parece ter sido reaproveitado — com o mesmo final frustrante.

O sentimento geral é de que a alta gerência insiste nos mesmos erros, apostando em decisões que já se provaram problemáticas no passado.


A Ubisoft vivendo a própria frase de Vaas

Não por acaso, alguns funcionários compararam o momento da empresa a uma das falas mais famosas da história dos games. Em Far Cry 3, o vilão Vaas Montenegro define insanidade como “fazer a mesma coisa repetidamente esperando resultados diferentes”.

Segundo relatos internos, é exatamente assim que muitos enxergam a estratégia atual da Ubisoft.


Culpa repassada, cobrança mantida

Outro ponto que gerou revolta foi a postura da liderança após as demissões. Em discussões internas, funcionários afirmam que, mais uma vez, a responsabilidade pela recuperação da imagem da empresa foi empurrada para quem ficou.

“Por que a alta gerência não assume os erros do passado? No fim, só os trabalhadores estão pagando a conta”, desabafou um desenvolvedor.

Também há críticas diretas à falta de criatividade da empresa, que insiste em seguir tendências de mercado lançadas por outros estúdios, em vez de criar algo realmente novo.


Reuniões fechadas e apostas questionáveis

As reclamações não param por aí. Funcionários apontam que decisões sobre quais jogos avançam são tomadas em reuniões fechadas, sem transparência. Projetos considerados sem futuro continuam recebendo investimentos por motivos pouco claros — Skull and Bones é citado como exemplo recorrente.

Mesmo após a nova reestruturação, o pessimismo permanece. Especialmente porque a Ubisoft ainda trata Beyond Good & Evil 2 como um projeto ativo, apesar de anos sem avanços concretos.


Crise criativa, crise de confiança

Entre demissões, promessas recicladas e decisões questionáveis, o sentimento interno é de desgaste total. Para muitos funcionários, o problema já não é apenas financeiro — é de credibilidade, gestão e confiança.

E, pelo visto, dessa vez nem o parkour de Assassin’s Creed está ajudando a escapar da queda.