Conhecida mundialmente por mouses, teclados e PCs gamers com o clássico visual preto e verde, a Razer sempre chega à CES fazendo barulho. Em 2025, não foi diferente — só que, desta vez, o barulho veio acompanhado de polêmica, debates acalorados e muita desconfiança da comunidade gamer.
No centro da discussão está o Projeto Ava, uma assistente de Inteligência Artificial com presença física: um holograma em estilo anime, exibido dentro de um frasco sobre a mesa do usuário. A personagem é alimentada pelo Grok, sistema de IA ligado a Elon Musk. A reação? Gamers torceram o nariz — e não foi pouco.

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Gamers não odeiam IA. Odeiam IA mal feita
Durante uma entrevista ao site Decoder, o jornalista Nilay Patel foi direto ao ponto e questionou o CEO da Razer, Min-Liang Tan, sobre a resistência do público. A resposta veio sem rodeios. Gamer assumido, Tan devolveu a pergunta: “Com o que exatamente estamos insatisfeitos?”
Para ele, a resposta é clara: “IA generativa de baixa qualidade”. E fez questão de deixar claro que ele próprio compartilha dessa frustração.
Segundo o executivo, a experiência de jogo precisa ser imersiva, envolvente e competitiva. “Quando jogo, quero me sentir dentro daquele mundo. Não quero personagens com dedos extras, histórias mal escritas ou assets que parecem feitos às pressas”, afirmou. O recado é direto: IA ruim quebra a magia do jogo.
IA como aliada, não como atalho preguiçoso
Min-Liang reforça que os jogadores querem jogos melhores, mais divertidos e mais polidos — e que a IA pode ajudar, desde que seja usada com critério. Ele foi enfático ao criticar conteúdos gerados a partir de “alguns comandos básicos”, algo que, segundo ele, ninguém aguenta mais ver.
A visão da Razer é outra: usar IA para auxiliar desenvolvedores, não para substituir talento humano. O foco estaria em ferramentas que melhorem processos, especialmente no controle de qualidade (QA) — uma etapa invisível para muitos jogadores, mas que pode representar 30% a 40% do custo total de um game e atrasar lançamentos por meses.
Assistente de QA: menos retrabalho, mais tempo para criar
A solução que a Razer diz estar desenvolvendo funciona como um assistente de QA, operando ao lado de testadores humanos. A IA ajudaria a organizar relatórios, preencher formulários e encaminhar bugs, acelerando o processo sem eliminar o olhar crítico humano.
“Não queremos substituir a criatividade — isso é algo que defendo com paixão”, afirmou Tan. A ideia é simples no papel: deixar a IA cuidar do trabalho repetitivo, enquanto os desenvolvedores focam no que realmente importa — criar jogos incríveis.
Preço de hardware também pesa na bronca dos gamers
O CEO também reconheceu outro ponto sensível: o impacto da IA nos preços de hardware, especialmente RAM e GPUs. Ele lembrou do período em que jogadores disputavam placas de vídeo com mineradores de criptomoedas — um trauma coletivo que ninguém esqueceu.
Mesmo assim, a Razer não está fora do jogo. A empresa anunciou um investimento de US$ 600 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões) em Inteligência Artificial nos próximos anos, além da contratação de mais de 100 engenheiros dedicados ao setor.
Discurso forte, promessa alta e um desafio gigante
Por enquanto, a postura da Razer soa ousada — e até refrescante em meio a um mercado saturado de IA genérica que ninguém pediu. A crítica aberta do CEO à IA mal executada ajuda a dar peso ao discurso.
Agora, resta a parte mais difícil: entregar. Se a Razer conseguir provar, na prática, que dá para usar IA sem matar a alma dos games, talvez consiga virar o jogo. Caso contrário, para muitos jogadores, a melhor opção seguirá sendo apertar “desinstalar” e seguir jogando do jeito tradicional.




