Hoje é difícil imaginar Max Cavalera sem uma guitarra pendurada no peito, mas nem sempre foi assim. Quando criança, o futuro líder do Sepultura era muito mais ligado ao futebol do que ao som alto. A virada de chave veio em 1981, de forma explosiva, barulhenta e definitiva: um show do Queen no Brasil.
Ver Freddie Mercury dominando o palco, a potência do som, a presença cênica absurda e a grandiosidade do espetáculo foram suficientes para causar um impacto profundo no jovem Max. Ali, no meio da multidão, nasceu o desejo de montar uma banda e mergulhar de vez no rock e no metal — algo que o próprio músico define como um momento decisivo de sua vida, relembrado em entrevista recente.

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Do Palmeiras ao headbanging em tempo recorde
Na conversa, Max explicou a importância de ter assistido ao show ao lado do irmão Iggor Cavalera, baterista e parceiro musical desde os primeiros passos. Até então, o programa favorito era ir ao estádio com o pai para ver o Palmeiras jogar. O detalhe curioso? O show do Queen aconteceu no mesmo local onde ele costumava assistir às partidas.
Segundo Max, foi impossível resistir ao impacto do espetáculo. No dia seguinte, a dupla já estava em busca de fitas cassete para aprofundar a nova obsessão sonora. Entraram na sacola álbuns como “Live Killers”, do Queen, “Alive!”, do KISS, e, pouco depois, vieram AC/DC, Iron Maiden e Judas Priest.
O próprio Max resumiu a experiência sem rodeios: o Queen foi a “droga de entrada” para o rock pesado.
Sem Queen, talvez sem Sepultura
No início dos anos 1980, o Brasil ainda vivia o fim da ditadura militar, e shows internacionais de grande porte eram raríssimos. A passagem do Queen pelo país foi histórica e representou, para muitos jovens, o primeiro contato com um espetáculo de nível mundial, tanto artisticamente quanto em estrutura.
Para um garoto de Belo Horizonte, com pouco acesso a discos importados, revistas especializadas ou vídeos musicais, aquele show teve efeito quase transformador. Poucos anos depois, em 1984, Max e Iggor fundariam o Sepultura, banda que não só mudaria suas vidas, mas ajudaria a colocar o metal brasileiro no mapa mundial.
Hoje, mesmo com o Sepultura em turnê de despedida sem os irmãos Cavalera na formação, o legado segue vivo. Max e Iggor mantêm projetos próprios revisitando clássicos da fase inicial da banda, enquanto Max segue ativo em nomes de peso como o Soulfly.
No fim das contas, talvez seja justo dizer: sem o Queen, o Sepultura nunca teria existido — e o futebol perdeu um torcedor para ganhar uma lenda do rock pesado.



