No dia 17 de março de 1998, o Van Halen colocava no mundo um dos discos mais curiosos — e debatidos — da sua história: “Van Halen III”. Hoje, 28 anos depois, o álbum segue sendo aquele tipo de obra que divide opiniões, mas nunca passa batido.

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Uma nova voz e uma fase turbulenta
O disco ficou marcado por ser o único com o vocalista Gary Cherone, conhecido pelo trabalho no Extreme.
Ele assumiu o microfone após a saída de Sammy Hagar e uma tentativa frustrada de retorno com David Lee Roth.
A entrada de Cherone teve influência direta do empresário Ray Daniels, que conectou o cantor ao lendário guitarrista Eddie Van Halen. A química foi imediata: Eddie curtiu tanto as letras quanto a dedicação do vocalista que os dois passaram a trabalhar juntos intensamente na construção do álbum.
Um disco com cara de projeto solo
Outro ponto que chamou atenção foi a participação reduzida do baixista Michael Anthony, que aparece em apenas três das doze faixas.
O restante das linhas de baixo ficou por conta do próprio Eddie, que também assumiu a produção ao lado de Mike Post.
Não à toa, muita gente — incluindo o próprio Anthony — considera o álbum mais como um projeto pessoal de Eddie do que um trabalho coletivo da banda.
Som mais longo, mais experimental e fora da curva
“Van Halen III” é o disco mais extenso da carreira da banda, com cerca de 65 minutos. As músicas são mais longas, explorando estruturas diferentes e fugindo do formato mais direto que consagrou o grupo.
Faixas como “Without You”, “Once” e “Ballot or the Bullet” mostram essa tentativa de expandir horizontes — mesmo que nem todo mundo tenha embarcado na ideia.
Sucesso comercial… mas recepção fria
Na época do lançamento, o álbum até teve um desempenho sólido: vendeu cerca de 190 mil cópias e estreou em 4º lugar na Billboard.
Mas a crítica e boa parte dos fãs não compraram totalmente a proposta. O disco quebrou a sequência de múltiplas certificações de platina da banda, ficando com um Disco de Ouro nos Estados Unidos.
Ainda assim, teve posições relevantes em charts pelo mundo, incluindo Top 10 em países como Canadá, Japão e Austrália.
Turnê forte e setlist nostálgico
Se o álbum dividiu opiniões, a turnê veio para equilibrar o jogo.
Com Gary Cherone nos vocais, o Van Halen voltou a incluir no repertório várias músicas da era David Lee Roth, que haviam sido deixadas de lado anteriormente.
A banda rodou o mundo em 1998, passando por Europa, Japão e chegando pela primeira vez à Oceania, com shows na Austrália e Nova Zelândia — incluindo apresentações registradas pela MTV.
O álbum que nunca veio
Após a turnê, a banda até iniciou trabalhos em um segundo disco com Cherone, que teria o título “Love Again” e previsão de lançamento para 1999.
Mas o projeto foi barrado pela gravadora Warner Music Group, que alegou falta de um single forte para o mainstream.
Resultado: o álbum foi engavetado, Cherone deixou a banda de forma amigável e o capítulo chegou ao fim.
Legado, polêmica e respeito
Mesmo com críticas, Gary Cherone nunca escondeu o orgulho de ter feito parte da história do Van Halen.
E, apesar de seus altos e baixos — incluindo decisões questionáveis como a faixa “How Many Say I”, cantada por Eddie —, “Van Halen III” segue como uma peça importante na trajetória da banda.
O futuro ainda guarda surpresas
Para os fãs, ainda há expectativa. Alex Van Halen revelou recentemente que está trabalhando em material inédito deixado por Eddie, o que pode resultar em um lançamento póstumo.
Entre os nomes envolvidos estaria Steve Lukather, guitarrista do Toto. Já Paul Rodgers, do Bad Company, teria recusado participar.
No fim das contas, “Van Halen III” pode não ser unanimidade — mas é puro rock raiz: ousado, imperfeito e impossível de ignorar.




