Poucas bandas ajudaram a moldar o heavy metal como o Black Sabbath. Com riffs pesadíssimos, atmosferas sombrias e letras que pareciam trilha sonora para o fim do mundo, o grupo britânico ajudou a criar as bases de um gênero que conquistaria gerações.
Mas, pelo visto, teve gente que levou a estética sombria da banda a outro nível. Tony Iommi, guitarrista e um dos fundadores do Sabbath, revelou que uma das maiores confusões envolvendo o grupo foi a crença de que seus integrantes eram satanistas.
Em mais de cinco décadas de história, o músico percebeu que a imagem obscura da banda ajudou a construir sua reputação, mas também provocou situações bastante curiosas.
Tudo começou em Birmingham, na Inglaterra, onde os integrantes desenvolveram uma sonoridade pesada, inspirada em suas experiências e no ambiente industrial da cidade. As letras com referências ocultistas e o clima sombrio das músicas, porém, acabaram alimentando interpretações distorcidas sobre as intenções do grupo.
A ideia de que o Black Sabbath promovia uma espécie de doutrina anticristã estava longe da realidade dos músicos. Pelo menos segundo Iommi, a banda estava explorando uma identidade artística própria, sem a intenção de transformar os shows em reuniões das trevas.

Imagem: Watal Asanuma/Shinko Music/Getty Images
Tony Iommi relembra o medo que o Black Sabbath provocava nos Estados Unidos
Em uma entrevista concedida à revista Classic Rock em 2016, o guitarrista contou que já foi chamado de satanista diversas vezes. Para ele, a confusão ganhou força quando o Black Sabbath começou a tocar nos Estados Unidos, onde parte do público interpretava a estética da banda de maneira bastante literal.
Iommi relembrou que algumas pessoas realmente tinham medo do grupo, como se os músicos fossem capazes de provocar acontecimentos sobrenaturais durante as apresentações.
“Achavam que iríamos transformá-las em sapos! Era algo muito peculiar. Elas morriam de medo!”, contou o guitarrista ao recordar a reação de parte do público.
Sim, estamos falando de uma época em que riffs sombrios e letras misteriosas eram suficientes para despertar teorias dignas de um filme de terror. E o Sabbath nem precisava de efeitos especiais para causar impacto: bastava aumentar o volume.
O músico também aproveitou a conversa para esclarecer suas próprias convicções religiosas. Apesar da fama sombria construída pela banda, Iommi afirmou acreditar em Deus e revelou ser católico, embora não tenha o hábito de frequentar a igreja.
A declaração ajuda a entender a diferença entre a identidade artística do Black Sabbath e as crenças pessoais de seu guitarrista. Afinal, tocar metal pesado não significa necessariamente seguir as interpretações que outras pessoas fazem das letras e da estética do gênero.
Tony Iommi prepara novo álbum solo com participação de Brian May
Enquanto revisita histórias dos primeiros anos do heavy metal, Tony Iommi também se prepara para apresentar uma nova etapa de sua carreira individual.
O guitarrista tem lançamento previsto para 23 de outubro de 2026 para seu álbum solo, From the Dark. O disco reúne oito faixas e conta com músicos convidados para dar vida às novas composições.
A formação inclui Jørn Lande nos vocais, Becky Baldwin no baixo, Karl Brazil na bateria e Mike Exeter nos teclados.
E tem participação de peso nessa história: Brian May, lendário guitarrista do Queen, aparece como convidado na música “Death Wake”, na qual grava um solo de guitarra.
A colaboração coloca dois nomes gigantes da história do rock no mesmo projeto. De um lado, o homem responsável por alguns dos riffs que ajudaram a definir o heavy metal; do outro, o guitarrista que marcou gerações com a sonoridade inconfundível do Queen.
Se a fama sombria do Black Sabbath já rendeu histórias curiosas, a nova fase de Iommi promete mostrar que sua criatividade continua longe de qualquer aposentadoria.
E fica a lição: uma coisa é construir uma das sonoridades mais sombrias da história do rock; outra, bem diferente, é acreditar que o guitarrista vai transformar alguém em sapo.




