Pode até existir uma rivalidade imaginária entre fãs de diferentes bandas, mas, quando o assunto é rock de qualidade, o respeito fala mais alto. Lars Ulrich, baterista do Metallica, não economizou elogios ao Guns N’ Roses e escolheu um disco da banda liderada por Axl Rose como um dos maiores já gravados: Appetite for Destruction, lançado em 1987.
Para Lars, o álbum de estreia do Guns foi muito além de um sucesso comercial. Com riffs marcantes, atitude rebelde e uma energia que parecia prestes a explodir pelas caixas de som, o trabalho ajudou a redefinir o hard rock e influenciou milhares de bandas nas décadas seguintes.

Imagem: Theo Wargo/Getty Images for Global Citizen
Em 2017, durante uma entrevista à Rolling Stone, na qual revelou alguns de seus discos favoritos de hard rock e metal, o músico explicou por que considera o álbum tão especial:
“O que posso dizer sobre Appetite que ainda não tenha sido dito? Está no seleto rol de maiores discos de rock já gravados. Ele transcende gêneros: não é apenas um dos melhores discos de hard rock e metal de todos os tempos, mas simplesmente um dos melhores discos de todos os tempos. Obviamente moldou uma geração e serviu de molde para literalmente milhares de bandas.”
E olha que estamos falando de um integrante do Metallica, banda que também sabe muito bem como fazer história no rock pesado!
Lars Ulrich relembra o primeiro contato com Appetite for Destruction
A admiração de Lars pelo disco começou antes mesmo de o álbum chegar oficialmente às lojas. O baterista recordou que recebeu uma fita promocional durante uma viagem de avião entre Los Angeles e Nova York, aproximadamente dois meses antes do lançamento.
O material foi entregue por um profissional da área de artistas e repertório da gravadora, que recomendou que ele conferisse o trabalho daquela banda que estava prestes a estrear.
A primeira impressão foi positiva, mas sem grandes explosões de entusiasmo. Ao ouvir “Welcome to the Jungle”, Lars gostou do que encontrou, embora a música ainda não tivesse provocado aquele choque musical capaz de deixar alguém de queixo caído.
A situação mudou quando começou a tocar “It’s So Easy”.
“Quando penso em Appetite, penso em 1987. Esse disco esteve presente em todos os lugares por uns três anos. Lembro da primeira vez que o ouvi. Eu estava voando para Nova York, vindo de Los Angeles, onde tinha passado pela gravadora. O responsável pelo A&R me entregou uma fita cassete promocional e disse: ‘Dá uma olhada neste disco, de uma banda que está prestes a lançar o trabalho’. Isso foi uns dois meses antes do lançamento. ‘Welcome to the Jungle’ — achei bem legal. Gostei, mas não chegou a explodir minha cabeça nem nada do tipo. Mas ‘It’s So Easy’? Eu nunca tinha ouvido nada parecido.”
A partir dali, o álbum começou a mostrar suas armas. E não estamos falando de um solo de guitarra qualquer!
“Nighttrain”, “Paradise City” e uma sequência de respeito
Lars também destacou a atitude presente em faixas como “Nightrain”, “Out Ta Get Me”, “Mr. Brownstone” e “Paradise City”. Para ele, a combinação de raiva, irreverência e energia tornou a experiência de ouvir o disco algo inesquecível.
O baterista descreveu a sensação de acompanhar aquela sequência de músicas pela primeira vez:
“Depois, em ‘Nightrain’, veio aquela marra, aquela postura; e em ‘Out Ta Get Me’, surgiu aquele tom desafiador: ‘Eles não vão me pegar’. Havia ali um rancor, uma raiva, uma atitude, uma energia absurda. Depois vieram ‘Mr. Brownstone’ e ‘Paradise City’. Eram umas quatro ou cinco músicas seguidas… eu fiquei ali, sentado no avião, de boca aberta, pensando: ‘Que porra foi essa que eu acabei de ouvir?’.”
O impacto de Appetite for Destruction não ficou restrito à primeira audição. O álbum se tornou um dos lançamentos mais importantes do hard rock, impulsionado por músicas como “Sweet Child O’ Mine”, “Welcome to the Jungle” e “Paradise City”.
A estreia do Guns N’ Roses ajudou a consolidar a banda como um dos grandes nomes do rock mundial e deixou uma marca profunda em gerações de músicos. Para Lars, o disco não pertence apenas ao hard rock ou ao metal: é daqueles trabalhos que merecem lugar em qualquer conversa sobre os maiores álbuns de todos os tempos.
Metallica e Guns N’ Roses dividiram os palcos nos anos 1990
A admiração musical também ganhou um capítulo ao vivo. Em 1992, Metallica e Guns N’ Roses embarcaram juntos em uma turnê que reuniu duas das maiores forças do rock pesado daquele período.
O Metallica estava colhendo os frutos do sucesso de seu álbum autointitulado, conhecido como Black Album, lançado em 1991. Já o Guns N’ Roses chegava embalado pelos dois discos de Use Your Illusion, também lançados em 1991.
Era uma combinação de peso: de um lado, os riffs e a potência do Metallica; do outro, a mistura de hard rock, atitude e grandes refrões do Guns.
E, se alguém ainda precisava de uma prova de que o rock vai muito além de rótulos e disputas entre fãs, a admiração de Lars Ulrich por Appetite for Destruction fala por si. Afinal, quando um disco é realmente gigante, até os gigantes da música reconhecem o estrago positivo que ele fez na história do gênero.




