Se você achava que montar uma máquina poderosa para inteligência artificial já custava uma pequena fortuna, a NVIDIA aparentemente está preparando mais uma paulada no orçamento das grandes empresas.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a companhia pretende elevar os preços de seus servidores voltados para IA, com reajustes que podem chegar a 15%, dependendo da configuração escolhida.
A empresa já estaria comunicando alguns de seus principais clientes sobre a mudança. Os aumentos devem atingir sistemas baseados nas plataformas Grace Blackwell e Vera Rubin, com os valores variando conforme os componentes presentes em cada configuração.

Imagem: Nvidia
O problema? Memória. E muita memória.
O principal motivo apontado para o aumento é a disparada nos preços das memórias, um componente fundamental para os gigantescos sistemas utilizados em aplicações de IA.
As GPUs da plataforma Rubin, por exemplo, podem chegar a impressionantes 288 GB de HBM4. E quando a conversa passa para um rack NVL72, a escala fica quase absurda: são 72 GPUs, totalizando cerca de 20 TB de memória HBM4.
É memória suficiente para fazer qualquer PC gamer olhar para o canto e questionar suas próprias escolhas.
E o cálculo ainda não termina aí.
Os racks também utilizam chips LPDDR empregados no cache das CPUs Vera. Embora esses componentes tenham custo inferior ao HBM4, eles também sofrem com a atual pressão sobre o mercado de memória, fenômeno que já ganhou até o apelido de “RAMpocalipse”.
A conta pode subir centenas de milhares de dólares
Os sistemas NVL72 não são exatamente produtos que aparecem na prateleira de uma loja de informática. Eles são destinados a aplicações industriais e podem custar milhões de dólares.
Por isso, um reajuste de 15% não significa simplesmente alguns trocados a mais na nota fiscal.
Dependendo do equipamento, estamos falando de centenas de milhares de dólares adicionais na conta.
A previsão é que os novos preços sejam aplicados aos sistemas enviados a partir do início de 2027.
A ironia: NVIDIA também ajuda a esquentar esse mercado
Existe, porém, um detalhe bastante curioso nessa história.
A própria NVIDIA está entre as empresas que mais impulsionam a gigantesca demanda por componentes utilizados em sistemas de inteligência artificial. E essa corrida tecnológica contribui diretamente para a pressão sobre os preços das memórias.
Ao mesmo tempo, a companhia é uma das grandes vencedoras do atual boom da IA generativa, mercado que ajudou a transformar a NVIDIA em uma das empresas mais valiosas do planeta.
Ou seja: a empresa está, de certa maneira, no meio do incêndio — vendendo boa parte dos extintores e agora cobrando mais caro por eles.
NVIDIA aposta na força de Vera Rubin
Apesar da possibilidade de absorver parte dos custos adicionais, a NVIDIA parece confortável em repassar o aumento aos clientes.
A estratégia também mostra a confiança da companhia na própria posição dominante no mercado de aceleradores de IA e no desempenho da nova geração Vera Rubin.
Com empresas investindo bilhões na infraestrutura necessária para treinar e executar modelos de inteligência artificial cada vez maiores, a demanda continua gigantesca.
No mundo da IA, aparentemente, até a memória está vivendo uma vida de rockstar: preço nas alturas, procura absurda e ninguém parece disposto a desligar o amplificador.




