Parece que o Call of Duty resolveu olhar para a concorrência e pensar: “E se a gente trouxesse essa fórmula para o nosso campo de batalha?”. O aguardado Call of Duty: Modern Warfare 4 chega em 23 de outubro, para PS5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PC, com uma novidade que pode mexer com o cenário competitivo: o modo Collateral, inspirado diretamente na economia por rodadas de Counter-Strike e Valorant.
A novidade foi apresentada pela Activision em uma publicação sobre os recursos técnicos da versão para PC. Até o momento, porém, não há indicação de que o modo será exclusivo dos computadores.
A proposta é abandonar parte da ação frenética tradicional da franquia e apostar em estratégia, gerenciamento de recursos e decisões que podem definir o destino de uma partida. Aqui, sair correndo feito maluco pode custar caro — literalmente.

Imagem: Activision
Collateral: menos correria, mais estratégia
O novo modo funciona como uma versão mais enxuta e rigorosa de Search and Destroy, clássico de Call of Duty. As equipes continuam alternando entre ataque e defesa, com dois pontos de bomba em disputa, mas boa parte das facilidades tradicionais da série fica de fora.
No Collateral, não existe regeneração automática de vida, reaparecimento durante a rodada, recompensas por sequências de eliminações ou equipamentos personalizados. Todos começam com uma pistola e a mesma quantia de dinheiro.
A partir daí, entra em cena o gerenciamento financeiro. Os jogadores acumulam recursos ao longo das rodadas e podem gastá-los entre os confrontos para comprar armas, equipamentos e vantagens.
Morreu carregando aquele armamento caro? Já era. O equipamento adquirido é perdido quando o jogador é eliminado, embora o dinheiro acumulado permaneça disponível.
A lógica é praticamente a mesma que mantém Counter-Strike competitivo há mais de duas décadas: cada compra precisa ser pensada, e uma decisão ruim pode comprometer não apenas uma rodada, mas toda a estratégia da equipe.
Arsenal inspirado em Counter-Strike
O sistema de compras também reforça a inspiração no rival. As armas estão organizadas por categorias, incluindo pistolas, submetralhadoras, fuzis, rifles de precisão, escopetas e metralhadoras.
Outro detalhe importante: os armamentos usam nomes genéricos, sem as marcas reais que costumam aparecer em outros modos da franquia.
O catálogo ainda inclui granadas, coquetéis molotov, granadas de luz e escudo balístico. As vantagens também estão disponíveis, mas são limitadas e precisam ser compradas, obrigando os jogadores a escolher com cuidado onde investir seus recursos.
Até o suporte aéreo entra na conta. O veículo aéreo não tripulado (VANT) é o único item que pode ser adquirido coletivamente pela equipe, adicionando mais uma camada de estratégia às decisões durante a partida.
Resumindo: não adianta querer comprar o arsenal inteiro. Vai ser preciso escolher entre economizar, investir pesado ou arriscar uma rodada com o equipamento básico.
Call of Duty já flertou com Counter-Strike antes
Essa não é a primeira vez que a Activision incorpora ideias popularizadas por Counter-Strike à sua franquia de tiro.
O modo Gun Game, que ganhou popularidade em versões como Counter-Strike: Source e Counter-Strike: Global Offensive, também chegou a Call of Duty e se tornou uma das opções queridas do multiplayer.
Em 2018, a Treyarch apresentou o modo Heist em Call of Duty: Black Ops 4. A modalidade também utilizava um sistema de economia por rodadas, embora não seguisse tão de perto a estrutura de Counter-Strike.
O Collateral, portanto, representa uma tentativa mais direta de apostar nessa fórmula. A novidade chega em um momento em que a Infinity Ward busca reconquistar jogadores interessados em partidas mais táticas e competitivas, especialmente no PC.
Modern Warfare 4 também prepara mudanças pedidas pela comunidade
O novo modo não chega sozinho. Modern Warfare 4 também faz parte de um conjunto de mudanças voltadas a atender reclamações antigas dos jogadores.
Entre elas está a opção de desativar visuais considerados polêmicos em Call of Duty: Warzone. A Activision também revisou o funcionamento dos bônus de XP em dobro: agora, o tempo desses benefícios será contabilizado apenas durante as partidas, e não em tempo real.
A alteração responde a uma queixa recorrente da comunidade, que criticava a perda de minutos dos bônus enquanto os jogadores estavam fora dos confrontos.
Com o Collateral, a empresa amplia os sinais de que pretende dar mais atenção ao público competitivo. Resta saber se a modalidade terá suporte suficiente para conquistar espaço duradouro, ganhar uma liga própria ou ser integrada ao sistema ranqueado após o lançamento.
Por enquanto, uma coisa é certa: Call of Duty: Modern Warfare 4 quer provar que também sabe jogar com estratégia. E, nesse modo, gastar dinheiro sem pensar pode ser tão perigoso quanto errar um tiro decisivo.



