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Robert Plant: morte do filho mudou sua relação com o Led Zeppelin e abalou sua vida no rock

Ser uma lenda do rock não significa estar preparado para enfrentar qualquer pancada da vida. Robert Plant, histórico vocalista do Led Zeppelin, revelou como a morte de seu filho, Karac Plant, mudou profundamente sua relação com a banda que ajudou a transformar a história da música.

Plant integrou o grupo desde sua formação, em 1968, até o encerramento das atividades, em 1980, após a morte do baterista John Bonham. Mas, muito antes do fim oficial do Zeppelin, uma tragédia pessoal já havia abalado o cantor e mudado suas prioridades.

Em entrevista recente ao The Sunday Times, repercutida pelo Louder, o músico relembrou o período difícil e comentou a trajetória da banda. “Não havia mapa, nem instruções para o Led Zeppelin, e nós simplesmente continuamos”, afirmou.

IBAGEM KARCA

Imagem: Facebook/Rock N’ Roll Paradise

Tragédia interrompeu turnê do Led Zeppelin

Karac Plant morreu em 26 de julho de 1977, aos cinco anos, após contrair uma infecção gastrointestinal aguda que se espalhou rapidamente. Na época, Robert Plant estava em turnê com o Led Zeppelin para divulgar o álbum Presence, lançado em 1976.

Ao receber a notícia da morte do filho, o cantor viu sua vida virar de cabeça para baixo. A turnê foi cancelada imediatamente, mesmo com sete apresentações ainda previstas na agenda.

A banda voltou a trabalhar nos anos seguintes, mas a relação de Plant com o grupo nunca mais foi a mesma. O Led Zeppelin lançou outros dois discos antes de encerrar suas atividades: In Through the Out Door, em 1979, e Coda, em 1982, este último já depois da separação.

Em meio às lembranças, o vocalista foi direto ao explicar o impacto da perda: “Eu não precisava do grupo depois de perder meu filho”, declarou.

Plant também questionou o sentido de passar horas nos bastidores e na estrada quando a vida pessoal desmorona.

“Esses romances musicais são ótimos quando tudo está bem. Quando as coisas saem do controle, quem quer ficar nos bastidores por horas e horas com pessoas com quem você está preso desde 1968? Você não está jogando cartas, não está indo ao cinema, você está apenas esperando. Eu sempre quis dar um jeito de ir embora”, relembrou.

“Eu queria estar com a minha família”

Essa não foi a primeira vez que Robert Plant falou abertamente sobre como a morte de Karac afetou sua permanência no Led Zeppelin.

Em entrevista à Rolling Stone, em 2007, o cantor já havia contado que perdeu a vontade de continuar com a banda após a tragédia.

“Perdi meu filho. Eu não queria estar no Led Zeppelin. Eu queria estar com a minha família”, afirmou na ocasião.

A declaração mostra um lado menos conhecido de uma das maiores figuras da história do rock: mesmo no auge da carreira, com shows gigantescos e uma legião de fãs, Plant precisou lidar com uma perda que nenhum sucesso poderia compensar.

Longe da loucura do Zeppelin, Plant encontra tranquilidade

Décadas depois, a rotina do vocalista é bem diferente daquela vivida nos anos dourados do Led Zeppelin.

Seu trabalho mais recente de estúdio, Saving Grace, foi lançado em setembro de 2025. O projeto reúne reinterpretações musicais feitas ao lado da cantora Suzi Dian e da banda Saving Grace, com quem Plant excursionava desde 2019.

Embora continue se apresentando, o ritmo atual está longe da maratona que marcou a era Zeppelin. Hoje, o cantor vive em Shatterford, em Worcestershire, na Inglaterra, onde desfruta de uma vida mais tranquila e sem tanta badalação.

“Sou uma espécie de figurão há tanto tempo que em Worcestershire ninguém liga”, brincou Plant.

Segundo ele, os moradores costumam perguntar apenas se está tudo bem e se continua na ativa. Nem mesmo os cinco Grammys conquistados ao lado de Alison Krauss parecem impressionar muito por lá.

“Bem, eu ganhei cinco Grammys com a Alison Krauss… ‘O que é um Grammy?’”, contou, divertindo-se com a reação dos moradores.

De turnês internacionais à noite de bingo

Apesar da rotina mais sossegada, Robert Plant não abandonou a música. No início de outubro, o cantor disponibilizou o EP All That Glitters… e também cumpriu uma curta turnê pelos Estados Unidos ao lado de Suzi Dian e da Saving Grace.

A série de apresentações, batizada de Up the Sharp End, teve 16 datas entre 18 de setembro e 15 de outubro de 2026. Com o encerramento dos shows, Plant já demonstrava entusiasmo para voltar à tranquilidade de sua rotina.

E o programa da semana não poderia ser mais distante dos excessos do rock’n’roll: bingo.

“Terça à noite é noite de bingo”, revelou o músico. “Você pode ganhar 25 libras.”

Entre os palcos que marcaram gerações e as noites tranquilas no interior inglês, Robert Plant mostra que a vida depois do rock também pode ter seus próprios clássicos. E, para quem já viveu a intensidade do Led Zeppelin, uma noite de bingo pode ser exatamente o tipo de paz que vale a pena buscar.

 

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