O Pearl Jam voltou a colocar seu passado — e suas baterias — no centro das atenções. Dave Krusen, primeiro baterista da banda e responsável pelas gravações de boa parte do clássico Ten, reapareceu em uma participação no Drumeo para destrinchar uma das músicas mais conhecidas do álbum: “Even Flow”.
Durante a análise, o músico explicou os detalhes por trás da bateria da faixa e mostrou que, apesar de parecer simples, o groove está longe de ser apenas “bater no bumbo e esperar a guitarra fazer o resto”.

Imagem: davekrusen.com
O segredo de “Even Flow” estava no groove
Krusen explicou que sua abordagem na música era relativamente direta, mas sempre buscando interação com os outros instrumentos.
A bateria foi construída para conversar com o baixo, a guitarra base e, principalmente, acompanhar as mudanças de dinâmica dos vocais.
Em vez de simplesmente manter uma marcação fixa, o baterista tratava a bateria como uma peça ativa da composição.
E isso ajuda a entender por que “Even Flow” continua funcionando tão bem décadas depois: cada elemento parece estar conversando com o outro, sem transformar a música em uma competição para descobrir quem faz mais barulho.
Keith Richards também entrou na conversa
Entre as referências que influenciaram sua maneira de tocar, Dave Krusen citou o trabalho de Steve Jordan com o projeto Expensive Winos, ligado a Keith Richards.
A influência ajuda a explicar a abordagem mais econômica e expressiva utilizada pelo baterista em “Even Flow”.
As poucas viradas presentes na faixa não estão ali simplesmente para mostrar serviço. Krusen explicou como elas acompanham a dinâmica das guitarras e ajudam a conduzir a música.
É aquele velho conceito do rock: às vezes, saber quando não tocar é tão importante quanto mandar uma paulada na bateria.
Krusen fez parte do começo do Pearl Jam
Dave Krusen foi o baterista do Pearl Jam durante os primeiros momentos da banda e participou das sessões de gravação de Ten, lançado em 1991.
O álbum se tornaria um dos trabalhos fundamentais do grunge e ajudaria a colocar o Pearl Jam entre os grandes nomes da explosão do rock de Seattle.
Krusen deixou a banda ainda em 1991, ano de lançamento do disco, após enfrentar problemas relacionados ao alcoolismo.
Décadas depois, vê-lo novamente em destaque falando justamente sobre as gravações que ajudaram a construir a identidade do Pearl Jam é, no mínimo, uma ótima volta aos holofotes.
Pearl Jam ainda esconde o próximo baterista
A participação de Krusen no Drumeo chega em um momento particularmente curioso para os fãs do Pearl Jam.
A banda está vivendo uma nova mudança atrás das baquetas desde a saída de Matt Cameron, que deixou o grupo em 2025, após nada menos que 27 anos como baterista.
Até agora, o Pearl Jam ainda mantém em segredo a identidade de seu substituto.
A expectativa é de que o novo integrante seja apresentado oficialmente durante a apresentação principal da banda no Ohana Festival, evento organizado por Eddie Vedder.
Vedder, inclusive, estará no Brasil em novembro para o Best of Blues em Rock 2026.
E Dave Krusen no Soundgarden?
Como se a história já não tivesse coincidências suficientes, Dave Krusen também apareceu recentemente em outro projeto diretamente ligado ao universo grunge.
O baterista participou de uma versão de “Loud Love”, do Soundgarden, gravada pelo King Ultramega em iniciativas que celebram o legado do saudoso Chris Cornell.
Agora fica a pergunta inevitável: seria apenas coincidência ou os fãs estão diante de uma pista?
Por enquanto, não existe confirmação de que Krusen tenha qualquer relação com a próxima formação do Pearl Jam.
Mas convenhamos: depois de uma aparição analisando “Even Flow”, uma participação em música do Soundgarden e o Pearl Jam procurando baterista, a internet já tem combustível suficiente para trabalhar horas extras.




