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Por que Oli Sykes escolheu o Brasil para chamar de lar — de Taubaté a Ubatuba

Nascido em Ashford, na Inglaterra, Oli Sykes, vocalista do Bring Me The Horizon, trocou o cinza britânico pelo calor brasileiro — e não foi só para passar férias. Casado desde 2017 com a modelo brasileira Alissa Sallis, o cantor vive no Brasil há alguns anos e já passou por duas cidades bem conhecidas do público rock do Vale do Paraíba e do Litoral Norte: Taubaté e, atualmente, Ubatuba.

Mesmo com a agenda lotada de turnês pelo mundo, Oli chegou a passar praticamente toda a pandemia de covid-19 no país. Em 2023, ele chegou a mostrar nas redes sociais a conquista da Carteira de Registro Nacional Migratório (RNM), documento oficial para estrangeiros residentes no Brasil. Sinal claro de que a relação com o país é coisa séria.

IBAGEM OLI SYKES UNO

Imagem: Reprodução


“Aqui tudo é mais lento — e isso me salvou”

Em entrevistas recentes, Oli nunca escondeu o carinho pelo Brasil. Para ele, a mudança foi quase terapêutica:

O clima, as pessoas, a comida. O modo de vida é muito diferente da Inglaterra, mas é muito bom para mim.”

Segundo o vocalista, o ritmo mais tranquilo do Brasil foi essencial para sua saúde mental. Acostumado à pressão constante da indústria musical inglesa, ele precisava urgentemente pisar no freio.

“Acho que mentalmente eu precisava desacelerar um pouco. Na Inglaterra isso é muito difícil. Aqui, tudo é mais lento, as pessoas são mais tranquilas. Eu queria fugir há muito tempo.”

Oli também falou sobre a necessidade de se desconectar da persona de rockstar, algo que o Brasil proporcionou de forma quase natural.


Pandemia, lockdown e um amor inesperado pelo Brasil

Curiosamente, morar no Brasil durante a pandemia não foi exatamente um plano. Foi mais um acaso do destino que acabou mudando tudo.

“Nunca pensei que seria no Brasil, mas ficamos meio presos aqui no lockdown. Acabei percebendo o quanto me sinto em paz quando estou aqui. Eu simplesmente gosto muito disso.”

Entre praias, cidades menores e menos pressão social, o cantor encontrou algo raro para quem vive de turnê em turnê: silêncio mental.


Nem tudo foi fácil: recaída e reconstrução

Apesar do saldo positivo, o período também trouxe desafios pesados. Durante a pandemia, Oli Sykes enfrentou uma recaída no uso de drogas, algo que ele próprio revelou em entrevista ao Loudwire.

“Eu voltei a usar drogas durante a pandemia. Eu estava acostumado a estar sempre desgastado. Quando tudo parou, fiquei entediado por não saber ser uma pessoa ‘normal’, e acabei recaindo.”

O medo de o Bring Me The Horizon perder relevância também pesou. Até então, Oli vivia sob a mentalidade de que parar era sinônimo de fracasso.

“Eu achava que, se parássemos por um minuto, a banda acabaria. Que ninguém mais iria gostar da gente.”


Do caos ao controle criativo

Entre Post Human: Survival Horror (2020) e Post Human: Nex Gen (2024), passaram-se quatro anos — um intervalo incomum para uma banda conhecida pela intensidade criativa. Nesse tempo, Oli precisou reprogramar sua mente, deixar a ansiedade de lado e encontrar um novo equilíbrio.

E, ao que tudo indica, o Brasil teve papel fundamental nessa virada.

Hoje, entre o som das ondas em Ubatuba e os palcos do mundo, Oli Sykes parece ter encontrado algo que todo rockstar procura — e poucos conseguem: paz sem perder o peso do som.