Uma treta que durou mais de 20 anos finalmente ganhou um ponto final. Phil Collins revelou que deixou para trás o ressentimento que carregava contra Paul McCartney depois de um episódio ocorrido em 2002.
Em entrevista ao Piers Morgan Uncensored, o ex-baterista do Genesis voltou a contar a história envolvendo o ex-Beatle, que aconteceu durante os ensaios para o show do Jubileu da Rainha, no Palácio de Buckingham.
E tudo começou com um livro. Sim, um livro.

Imagem: Colagem – Rolling Stone Brasil (Fotos: David Wolff-Patrick/Redferns e Jim Dyson/Getty Images)
Um autógrafo que virou uma baita dor de cabeça
Um dia antes da apresentação, Phil Collins levou aos ensaios uma primeira edição, extremamente rara, do livro de Hunter Davies sobre os Beatles. O exemplar havia sido presenteado a ele por Jill, mãe de Lily Collins.
A ideia era simples: conseguir um autógrafo de Paul McCartney.
Sentado na lateral do palco, Collins pediu que o músico assinasse o livro. McCartney topou. Só que, segundo Collins, foi justamente nesse momento que veio a frase que acabou virando uma pedra no sapato da relação entre os dois.
McCartney teria comentado com sua então esposa, Heather Mills:
“Ele é um grande fã dos Beatles, não é o nosso pequeno Phil?”
Para Collins, aquilo soou bem diferente de uma brincadeira inocente.
O músico admitiu que pensou: “Seu babaca.”
Collins reconheceu que provavelmente deu mais peso à declaração do que McCartney pretendia. Mesmo assim, o episódio ficou guardado durante anos e acabou entrando na autobiografia do baterista.
Collins contou a história — e McCartney não curtiu
Em 2016, durante a divulgação de sua autobiografia, Collins revelou o episódio ao The Sunday Times. Depois da publicação, Paul McCartney enviou um e-mail ao músico para tentar resolver a situação.
Só que Collins não respondeu.
Corta para o início deste ano. Depois de alguns anos e de uma coleção considerável de manchetes, McCartney ligou para Collins após descobrir que o baterista estava procurando músicos que pudessem doar itens de memorabilia para um leilão beneficente do Kings Trust.
Durante a conversa, McCartney aproveitou para colocar a velha história na mesa.
Collins contou que o ex-Beatle começou com um:
“Já que estamos ao telefone…”
E ele já imaginou: “Ah, lá vamos nós.”
McCartney então perguntou o que estava acontecendo.
Foi quando Collins resolveu abrir o jogo:
“Queria nunca ter dito aquilo, Paul, queria nunca ter dito.”
Segundo Collins, McCartney respondeu que achava que os dois já estavam bem.
Fim da treta
E foi assim, em uma ligação telefônica, que uma briga de duas décadas finalmente acabou.
“Então fizemos as pazes”, afirmou Collins. O músico disse que pediu desculpas e reconheceu que a situação aparentemente ainda incomodava McCartney.
Para Collins, a reação é compreensível. Afinal, segundo ele, Paul gosta de ser querido, assim como qualquer outra pessoa — talvez até um pouco mais.
No fim das contas, o que ficou foi o pedido de desculpas e a reconciliação entre dois gigantes da música britânica.
Duas décadas de climão resolvidas. Sem solo de guitarra, sem bateria explosiva e, aparentemente, sem mais treta nos bastidores.
Phil Collins também revelou que quase morreu em 2024
Além da história com Paul McCartney, Collins falou recentemente sobre um período muito mais delicado de sua vida.
Em agosto, o músico revelou ao Sunday Times que quase morreu em 2024 durante sua luta contra a dependência de álcool.
Segundo o cantor, sua primeira internação aconteceu em novembro de 2023, em um hospital na Suíça, devido ao consumo de álcool. Ele recebeu alta antes do Natal, mas precisou ser internado novamente algumas semanas depois.
Desta vez, a situação foi ainda mais grave: Collins foi levado para a UTI, onde permaneceu inconsciente.
Ao todo, o artista passou sete meses no hospital se recuperando do episódio que quase tirou sua vida.
“Tive muita sorte de ter saído daquela situação”, afirmou Collins ao Sunday Times.
O músico também foi direto ao falar sobre sua recuperação:
“Nem preciso dizer que não bebo desde então.”



