Quase duas décadas depois do susto que mudou tudo, Peter Criss, ex-baterista do Kiss, voltou a falar abertamente sobre a luta contra um câncer de mama — condição rara em homens. Em entrevista recente, o músico revisitou o impacto do diagnóstico, o tratamento pesado e a certeza pessoal de que sua recuperação foi algo fora do comum.

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Ao lembrar do momento em que ouviu a palavra que ninguém quer escutar, Criss não escondeu o choque:
“Quando o médico disse que era câncer, meu mundo simplesmente travou. Fiquei apavorado. Naquele segundo, pensei: ‘acabou, vou morrer’. Foi um dos momentos mais assustadores da minha vida.”
Um diagnóstico que pegou todo mundo de surpresa
O choque foi ainda maior porque se tratava de um tipo de câncer pouco associado ao público masculino — algo que, segundo ele, ainda é cercado de desinformação.
“Quando se fala em câncer de mama, todo mundo pensa em mulheres. Eu mesmo nem sabia que homens podiam ter isso. Muita gente ainda não sabe, e isso é perigoso demais.”
A falsa invencibilidade masculina
A experiência fez Criss repensar um comportamento comum — e perigoso — entre homens quando o assunto é saúde.
“Homem acha que é indestrutível. Ignora sintomas, evita médico, acha que vai passar sozinho. Se eu tivesse pensado assim, provavelmente não estaria aqui hoje.”
Segundo ele, falar publicamente sobre o tema nunca foi vaidade, mas alerta.
“Se a minha história fizer um cara procurar um médico antes do problema piorar, já valeu tudo. Cuidar da saúde não é fraqueza.”
Tratamento, fé e um final inesperado
Após o diagnóstico, Peter Criss passou por cirurgia, tratamento médico e, posteriormente, entrou em remissão completa. Ele fez questão de destacar tanto o papel da medicina quanto o apoio espiritual durante o processo.
“Tive médicos incríveis, gente extremamente competente. Mas também me agarrei muito à fé. Teve noite em que eu só conseguia rezar para ter força e continuar.”
Para Criss, a recuperação vai além de estatísticas:
“Eu acredito de verdade que Deus me deu um milagre. Não falo isso de forma leviana. Poderia ter terminado de outro jeito.”
Vida, gratidão e um novo olhar
Encarar a possibilidade real da morte mudou completamente sua perspectiva sobre tudo — carreira, fama e relações pessoais.
“Depois que você olha a morte nos olhos, nada mais é igual. Cada dia passa a ter outro valor. Cada pessoa importa mais.”
Hoje, o sentimento não é de nostalgia, mas de gratidão.
“Vivi uma carreira incrível, experiências que poucos músicos tiveram. Mas estar vivo hoje, contando essa história, é a maior vitória.”
Criss encerra com um recado direto, sem firula — do jeito que o rock gosta:
“Não ignore os sinais. Não tenha vergonha de procurar ajuda. Se a minha história salvar uma vida, tudo o que passei já fez sentido.”



