Em tempos onde uma selfie vale mais que ingresso VIP nas redes sociais, Paul McCartney continua nadando contra a maré da cultura do “foto ou não aconteceu”. O eterno ex-The Beatles revelou por que evita tirar fotos com fãs — e a explicação mistura crise existencial, humor britânico e uma metáfora completamente inesperada envolvendo… um macaco numa praia da França.
Durante participação no podcast The Rest Is Entertainment, Macca abriu o jogo sobre como encara a fama após décadas sendo seguido pela sombra gigantesca da Beatlemania.

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“Não quero me sentir como o macaco da praia”
Segundo Paul, o problema não é antipatia ou falta de carinho pelos fãs. O músico explicou que tenta preservar ao máximo sua sensação de normalidade, evitando cair na armadilha de se enxergar como uma figura “acima” das outras pessoas.
E foi aí que veio uma das comparações mais aleatórias — e sinceras — já feitas por uma lenda do rock.
McCartney contou que costuma lembrar de um homem em Saint-Tropez que cobrava para turistas tirarem fotos com um macaco na praia. Para o cantor, posar constantemente para selfies faz ele se sentir exatamente daquela forma: como uma atração turística ambulante.
Na visão do músico, o momento em que ele deixa de ser apenas “Paul tomando café da manhã” e passa a virar “Paul McCartney, objeto de foto”, alguma coisa importante da própria identidade se perde no caminho.
Beatlemania mudou… agora cabe no bolso
O artista também comentou como a fama ganhou uma nova dimensão com a chegada dos celulares. Segundo ele, antigamente a exposição era intensa, mas hoje qualquer encontro casual automaticamente vira sessão de fotos improvisada.
Paul admitiu que os The Beatles amavam o sucesso nos anos da Beatlemania, mas ressaltou que sobreviver emocionalmente a décadas de idolatria exige aprender a lidar com os excessos da exposição pública.
“Se eu pensar demais nisso, minha cabeça explode”
Com bom humor e um tom bastante reflexivo, o músico revelou que evita analisar profundamente o próprio nível de fama porque isso seria mentalmente cansativo demais.
Segundo ele, existe uma separação curiosa entre “o famoso Paul McCartney” e o homem comum que simplesmente acorda pensando no café da manhã.
A declaração mostra um lado raro de artistas gigantescos: depois de décadas sendo tratado como lenda viva, Macca ainda tenta preservar a sensação de ser apenas um cara normal — ainda que esse “cara normal” tenha ajudado a mudar a história da música mundial.
Novo álbum vai explorar juventude e origem familiar de Paul
Hoje com 83 anos, Paul também creditou parte dessa visão de vida à criação humilde e amorosa que recebeu da família trabalhadora onde cresceu.
Essa fase da juventude do artista deve ganhar destaque em The Boys Of Dungeon Lane, novo disco de estúdio previsto para chegar no dia 29 de maio. O trabalho marca o primeiro álbum inédito desde McCartney III, lançado em 2020.
Recentemente, Macca ainda liberou o single Home to Us, gravado ao lado do velho parceiro de estrada Ringo Starr.
Porque algumas reuniões históricas nunca envelhecem — diferente das baterias dos celulares usados para pedir selfie.



