Os titãs do Megadeth, um dos pilares sagrados do thrash metal, apertaram o play na tão falada turnê de despedida no último 15 de fevereiro. O pontapé inicial rolou no Save-On-Foods Memorial Centre, em Victoria, na Colúmbia Britânica, Canadá — e já começou com clima de capítulo final épico.
No comando da tropa está ninguém menos que Dave Mustaine, que descreveu essa sequência de shows como uma longa e derradeira jornada ao redor do planeta. Um adeus? Talvez. Mas com volume no máximo.

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Dor nos dedos, peso no riff
Aos 64 anos, Mustaine segue encarando desafios físicos que fariam muita gente pendurar a guitarra. O líder do Megadeth convive com a contratura de Dupuytren, condição que afeta os tecidos das mãos e pode limitar os movimentos dos dedos.
Em entrevista à MariskalRockTV, ele foi direto: o problema está avançando e a dor é real. A artrite severa nas pontas dos dedos transformou o ato de tocar em um teste de resistência. Para quem sempre foi sinônimo de técnica afiada e precisão cirúrgica, não é pouca coisa.
Mas se tem algo que nunca faltou a Mustaine é teimosia em forma de riff.
Formação afiada e energia de sobra
Na estreia da turnê, ficou claro que a banda não está ali para fazer figuração nostálgica. Ao lado de Mustaine, subiram ao palco Teemu Mäntysaari na guitarra, James LoMenzo no baixo e Dirk Verbeuren na bateria — formação que vem consolidando uma fase técnica, coesa e extremamente pesada.
É veterania com gás renovado.
Novo álbum no topo e clássicos na veia
O setlist misturou passado e presente com precisão milimétrica. Duas faixas do álbum mais recente — lançado em janeiro — marcaram presença. O disco fez história ao se tornar o primeiro da banda a estrear no topo da Billboard 200.
Sim, depois de mais de quatro décadas, o Megadeth ainda consegue atingir novos picos.
O restante do repertório passeou por diferentes eras da carreira, entregando clássicos absolutos e músicas queridas pelos fãs. Foi aquele tipo de show que celebra legado sem virar museu.
Despedida ou resistência?
Se a apresentação inaugural serve de termômetro, essa turnê promete ser uma celebração intensa, carregada de emoção e peso. Existe, claro, o clima inevitável de despedida. Mas também há uma sensação de resistência — como se cada solo fosse uma declaração de que o metal não se rende fácil.
A grande pergunta agora é até onde Dave Mustaine conseguirá levar essa jornada, equilibrando limitações físicas com a agressividade e a precisão que transformaram o Megadeth em um dos nomes mais influentes da história do heavy metal.
Se depender da estreia, o fim ainda vai demorar para perder o fôlego.



