Dave Mustaine vai trocar os amplificadores pelos livros — pelo menos por uma noite. O líder do Megadeth fará uma participação especial no Kaufman Music Center, em Nova York, no dia 8 de setembro, para marcar o lançamento de sua nova autobiografia, “In My Darkest Hour”.
O livro chega às lojas na mesma data pelo selo Da Capo, da Hachette Book Group, e foi escrito em parceria com o jornalista Joe Layden.

Imagem: Gabriel Ramos @gabrieluizramos
Mas não espere apenas histórias de estrada, riffs e bastidores do Megadeth. Desta vez, Mustaine coloca no centro da narrativa um dos capítulos mais difíceis de sua vida: a batalha contra o câncer.
Entre quimioterapia, estúdio e muito metal
Mustaine foi diagnosticado em 2019 com um carcinoma de células escamosas na base da língua. No livro, o músico relata como precisou enfrentar uma rotina pesada de quimioterapia e radioterapia enquanto também trabalhava nas gravações do 16º álbum de estúdio do Megadeth, “The Sick, The Dying… And The Dead!”, lançado em 2022.
E a missão estava longe de ser simples.
Em entrevistas recentes, o músico, hoje com 64 anos, contou sobre os efeitos colaterais extremamente difíceis provocados pelo tratamento, incluindo o chamado “cérebro de quimio”, que afetava sua memória e tornava tarefas cotidianas muito mais complicadas.
Em meio ao caos, a música acabou funcionando como uma espécie de combustível para continuar.
Família e banda foram fundamentais
Mustaine destaca no livro a importância do apoio da família durante o tratamento e também o suporte recebido pelos companheiros de Megadeth.
Entre os nomes mencionados estão o baterista Dirk Verbeuren e o então guitarrista Kiko Loureiro, que tiveram papel importante durante aquele período.
A combinação entre família, banda e música ajudou o líder do Megadeth a manter o foco mesmo quando o corpo estava sendo submetido a uma verdadeira pancadaria médica.
Megadeth também enfrentava uma crise nos bastidores
Como se enfrentar um câncer enquanto grava um álbum não fosse desafio suficiente, a banda ainda passou por uma turbulência interna.
Em maio de 2021, o baixista original David Ellefson foi demitido após o vazamento de conteúdos explícitos na internet.
Mustaine classificou posteriormente o episódio como um “capítulo feio”, mas afirmou que a situação ficou para trás.
Em vez de permanecer preso ao drama, o músico decidiu concentrar sua energia naquilo que, segundo ele, realmente importa: a música e os fãs do Megadeth.
Ou seja, quando a vida já está tocando um solo de guitarra completamente fora do tom, talvez a melhor saída seja simplesmente voltar ao palco.
Um livro para falar de sobrevivência
Apesar de reconhecer que teve acesso a bons médicos e recursos financeiros durante o tratamento, Mustaine afirma que o objetivo principal de “In My Darkest Hour” é oferecer uma mensagem de esperança.
O músico pretende mostrar o lado psicológico de enfrentar tratamentos extremamente agressivos e o medo envolvido em procedimentos que, ao mesmo tempo em que destroem o corpo, têm justamente a missão de salvá-lo.
A expectativa é que sua experiência possa encorajar e confortar pessoas que estejam passando por diagnósticos semelhantes.
Mustaine já tem experiência contando sua própria história
“In My Darkest Hour” chega depois de outras publicações importantes relacionadas à trajetória do músico.
Entre elas estão “Mustaine: A Heavy Metal Memoir”, de 2010, e “Rust in Peace: The Inside Story”, lançado em 2020.
Segundo os editores, porém, o novo trabalho será o relato mais pessoal, aberto e vulnerável já apresentado por Dave Mustaine.
Desta vez, não é apenas a história do homem que ajudou a construir o thrash metal e liderou o Megadeth por décadas.
É a história de alguém que precisou enfrentar um dos maiores desafios de sua vida e encontrou na música uma das razões para continuar.




