Se tem uma coisa que Gene Simmons nunca economizou ao longo de mais de cinco décadas de Rock, foi opinião. Baixista, vocalista e um dos rostos mais conhecidos do KISS, o músico construiu uma carreira gigantesca — e também colecionou algumas boas tretas pelo caminho.
Conhecido por declarações polêmicas e comentários pouco discretos sobre outros artistas, Simmons já protagonizou discussões com músicos de diferentes gerações e estilos.
Até mesmo dentro do KISS, esse lado mais intenso do baixista era conhecido. Paul Stanley certa vez resumiu a personalidade do companheiro dizendo que “Gene é muito expressivo e gosta de um certo nível de atenção”.
E quando Gene Simmons resolve falar de alguém, digamos que dificilmente sai um simples “não curti o trabalho”.
A lista abaixo reúne cinco artistas que já tiveram conflitos ou trocas públicas de críticas com Gene Simmons, em casos compilados pelo Far Out.

Imagem: Ligado a Música
1. Ronnie James Dio: até os chifrinhos viraram motivo de treta
Poucas coisas parecem mais inevitáveis no Heavy Metal do que os famosos “chifrinhos” feitos com as mãos. Mas quem inventou o gesto? Essa pergunta rendeu uma longa discussão entre Gene Simmons e Ronnie James Dio.
Simmons afirmava ter utilizado o sinal pela primeira vez durante a turnê Hotter Than Hell, do KISS.
Dio, por outro lado, contava uma história completamente diferente: segundo o vocalista, ele aprendeu o gesto com sua avó, que utilizava o sinal como uma superstição italiana para afastar olhares negativos.
E Dio não perdeu a oportunidade de brincar com a história:
“Gene Simmons dirá que ele inventou isso. Mas Gene também inventou a respiração e os sapatos, sabia?”
A discussão voltou a ganhar força depois da morte de Dio, quando Simmons tentou reivindicar direitos exclusivos relacionados ao gesto.
A reação negativa fez o músico recuar. Mesmo assim, Gene manteve a postura:
“Não me arrependo de nada. As pessoas diziam: ‘Você não pode fazer isso’. Na verdade, querida — eu posso. Posso fazer o que eu quiser.”
No universo do Rock, aparentemente até fazer um “chifrinho” pode virar disputa de território.
2. Axl Rose: “O Guns N’ Roses poderia ter sido a maior banda do mundo”
Se existe uma frase capaz de provocar uma conversa interminável entre fãs de Guns N’ Roses, é essa.
Depois do fim da formação clássica do grupo, Gene Simmons avaliou que a banda tinha potencial para alcançar um patamar ainda maior, mas colocou boa parte da responsabilidade em Axl Rose.
A declaração foi direta:
“O Guns N’ Roses poderia ter sido a maior banda do mundo. E o motivo de não serem é por causa do Axl Rose.”
Simmons também questionou a capacidade de Axl de manter uma carreira longa no Rock, fazendo uma comparação com uma maratona.
E quando perguntaram o que o vocalista poderia ter feito de diferente, Gene respondeu de uma maneira bastante Gene Simmons:
“Uma boa surra teria ajudado.”
Diplomacia? Não exatamente o estilo do baixista.
3. Ace Frehley: quando a treta atravessou as paredes do KISS
Aqui a história é ainda mais pessoal. Ace Frehley, guitarrista e cofundador do KISS, teve uma relação bastante turbulenta com Gene Simmons mesmo depois de deixar a banda.
Frehley atribuiu sua saída a diferenças criativas. Simmons, por sua vez, relacionou a demissão ao abuso de substâncias e, anos depois, chegou a chamar o antigo companheiro de “câncer”.
Frehley também respondeu às críticas. O guitarrista afirmou que Simmons havia mudado e se tornado alguém sem a mesma humanidade e sem amigos.
Apesar das divergências, os dois voltaram a dividir o palco em algumas oportunidades. Só que a reunião musical não significou exatamente o fim das faíscas.
É o clássico caso de: “podemos tocar juntos, mas não significa que vamos concordar em tudo”.
4. Vinnie Vincent: o KISS quase virou campo de batalha
Depois da saída de Ace Frehley, Vinnie Vincent assumiu a guitarra do KISS. A parceria, porém, rapidamente encontrou turbulências.
A personalidade do guitarrista entrou em choque com a de Simmons, e Vincent acabou demitido após poucos shows.
Posteriormente, ele voltou ao grupo para participar das gravações de um novo álbum. Só que as tensões durante as sessões de estúdio chegaram a níveis bastante altos.
Gene Simmons relembrou aquele período sem economizar nas críticas:
“Vinnie queria que cada solo fosse algo grandioso. Tudo o que Vinnie fazia parecia que estava sob efeito de crack. Era ridículo, e certamente não era KISS. Chegou a um ponto em que tivemos que intervir.”
Após uma nova saída da banda, Vincent entrou em uma disputa judicial relacionada a direitos autorais de composições do KISS.
Segundo o relato reunido pelo Far Out, ele perdeu os processos e acabou declarando falência, além de vender direitos autorais de suas composições do KISS para cumprir as obrigações financeiras determinadas nos casos.
5. Carlos Santana: “isso é um show de Rock?”
A treta com Carlos Santana nasceu de uma diferença gigantesca de estilos.
O lendário guitarrista criticou a estética exagerada do KISS, incluindo as maquiagens e os figurinos utilizados pela banda. Para Santana, o visual funcionava como uma forma de compensar uma suposta falta de talento musical.
Ele chegou a dizer:
“[Gene] não é músico, ele é um ‘artista’. O KISS é entretenimento de Las Vegas, então ele não saberia o que é música de qualquer forma. É por isso que ele usa todas essas coisas. Um músico não precisa de máscara e rímel.”
Gene Simmons, obviamente, não deixou a provocação passar em branco.
Enquanto promovia uma nova turnê do KISS, o baixista respondeu ao guitarrista:
“Está na hora de sairmos por aí e mostrarmos aos novatos como os grandes fazem. Estou farto dessas bandas como a do Carlos Santana, que fica olhando para os próprios pés e acha que isso é um show de rock.”
E assim chegamos a mais uma regra não escrita do Rock: se você critica Gene Simmons, existe uma chance razoável de ele responder — e provavelmente não será com um simples “obrigado pela opinião”.




