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Jay Jay French explica por que o Twisted Sister largou a maquiagem — e diz: foi “a melhor coisa da vida”

O Twisted Sister sempre foi sinônimo de exagero, atitude e, claro, maquiagem pesada, eternizada principalmente por Dee Snider. Mas esse capítulo ficou para trás — e, segundo o guitarrista Jay Jay French, abandonar o visual foi uma decisão sem volta… e totalmente acertada.

Em entrevista ao Metal Mayhem ROC, French foi direto ao ponto: não existe qualquer plano para a banda voltar a usar maquiagem nos shows atuais. E o motivo envolve um festival gigantesco, um helicóptero improvisado, um voo que não decolou e uma das histórias mais rock n’ roll da carreira do grupo.

IBAGEM JAY JAY FRENCH

Imagem: Reprodução


O dia em que tudo deu errado — e acabou dando certo

Segundo French, a virada aconteceu em 2008, completamente por acidente, durante o Arrow Rock Festival, na Holanda. O line-up era coisa de outro mundo: Journey, Whitesnake, Def Leppard, Kiss, Motörhead, Kansas, REO Speedwagon e, claro, o Twisted Sister, tudo no mesmo dia, para mais de 50 mil pessoas em um campo aberto.

O problema? Dee Snider quase não chegou ao show.

O vocalista decidiu pegar o último voo de Nova York para Amsterdã, tomou um Ambien para dormir e acordou achando que já tinha cruzado o Atlântico. Spoiler: o avião ficou oito horas parado na pista por causa do mau tempo.

Quando o voo finalmente saiu, já era tarde demais. Dee aterrissou às 14h, com o show marcado para 16h. A solução foi digna de filme: um helicóptero caríssimo, improvisado às pressas, autorizado pela polícia para pousar atrás do palco.


Camiseta, jeans e zero maquiagem

O helicóptero era tão pequeno que não cabia nem uma mala. Resultado: Dee chegou direto ao palco de camiseta e jeans, sem figurino, sem maquiagem, sem nada.

E foi assim que o Twisted Sister subiu ao palco pela primeira vez na vida sem caracterização.

Segundo French, a missão era simples: tocar, fazer barulho e “atropelar todo mundo” — inclusive o Kiss, que seria a atração principal horas depois.

Missão cumprida.


O efeito inesperado: capa de jornal e status quase religioso

No dia seguinte, veio a surpresa. O principal jornal da Holanda publicou uma matéria gigante sobre o festival. Todas as bandas foram elogiadas. Mas apenas uma foto ocupava o destaque principal: a do Twisted Sister.

O texto cravou que, entre tantos gigantes do rock, a única banda que proporcionou uma experiência quase religiosa foi o Twisted Sister.

Ali, a ficha caiu.

“Por que diabos estamos usando essa porcaria?”, pensaram.


Adeus maquiagem, olá novos fãs

Jay Jay French conta que esperava uma enxurrada de críticas. Não veio. Apenas um único e-mail, de um fã surpreso dizendo que achava que a banda ainda usava maquiagem.

E só.

Segundo o guitarrista, abandonar o visual foi “a melhor coisa que poderia ter acontecido” com o grupo. O motivo é simples: muita gente deixava de curtir a banda apenas pela aparência.

Sem maquiagem, a música falou mais alto.

O resultado? Shows maiores, festivais maiores, mais público e números impressionantes até a despedida oficial, em 2016:

  • Média de 75 mil pessoas por show

  • Picos de até 110 mil fãs em uma única apresentação

Nada mal para quem largou o glitter.