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Gene Simmons dispara contra EDM, rap e diz que rock ainda entrega emoção de verdade

Gene Simmons nunca foi conhecido por pisar em ovos — e, mais uma vez, resolveu falar tudo o que pensa. Em entrevista ao Legends N Leaders, o baixista e vocalista do Kiss criticou o rap, a música eletrônica e até o conceito de relevância musical, defendendo que nada disso chega perto da emoção, complexidade e impacto do rock.

Segundo Simmons, a velha “guerra” entre gêneros pode até existir, mas o rock segue em outro patamar quando o assunto é legado.

IBAGEM GENE SIMMONS

Imagem: Reprodução

“Relevância quem decide é o público”

Ao ser questionado sobre popularidade e relevância, Gene foi direto — e irônico:

“Existe ‘popular’ e depois existe ‘relevância’. Quem decide o que é relevante? Críticos? Quem são eles? Para mim, relevância é ‘nós, o povo’. Quando uma banda como o Iron Maiden lota estádios e não está no Hall da Fama do Rock and Roll, enquanto outros artistas estão, algo está errado.”

Para ele, lotar arenas por décadas pesa mais do que qualquer selo institucional.

Rap no Hall da Fama? Gene não compra a ideia

Simmons também relembrou uma discussão que teve com Ice Cube, deixando clara sua posição sobre o hip-hop:

“Eu respeito o Ice Cube, ele é inteligente e fez coisas importantes. Mas não é a minha linguagem. Eu sempre disse que o hip-hop não pertence ao Hall da Fama do Rock and Roll — assim como ópera ou orquestras sinfônicas.”

E provocou:

“Se é sobre o ‘espírito do rock’, então tudo bem. Mas quando o Led Zeppelin vai entrar para o Hall da Fama do Hip-Hop?”

Silêncio constrangedor imaginário.

“Rap é palavra falada, rock é outra liga”

Para Gene Simmons, os gêneros existem por um motivo:

“Rap e hip-hop são, no geral, arte da palavra falada. Existem batidas, algumas melodias, mas é verbal. Rimas. O Eminem é incrível nisso. Desejo sucesso a ele. Só não me atrai.”

Na visão do músico, combinar melodia, harmonia, arranjo e emoção — como no rock — é um desafio bem mais complexo.

EDM leva bala perdida (e pesada)

Foi ao falar de EDM que Simmons soltou uma de suas falas mais polêmicas:

“É muito mais fácil fazer EDM. Eu gosto, faz as pessoas felizes. Mas em termos de talento? Não existem bandas tributo ao Skrillex. Ninguém faz cover dessas músicas.”

E então veio a frase que incendiou a internet:

“Quando você vai a um show de EDM, eu adoro a paixão… os fãs usando crack e enfiando coisas no traseiro, seja lá o que fazem.”

Segundo ele, o ritual é tribal, químico e momentâneo — bem diferente da tradição das bandas de garagem, algo que, para Gene, simplesmente não existe no eletrônico.

A indústria matou o próximo Beatles?

Simmons também criticou duramente a indústria da música atual, dizendo que ela impede o surgimento de novos ícones:

“O próximo Beatles ou o próximo Elvis não vai ter chance. As gravadoras não pagam adiantamentos. Os fãs consomem tudo de graça.”

Para ele, música sempre foi um negócio — do Renascimento aos dias atuais — e quem ignora isso vive no mundo da fantasia.

Onde estão os novos gigantes?

Gene fez uma comparação direta entre épocas:

“De 1958 a 1988 tivemos Elvis, Beatles, Hendrix, Stones, Pink Floyd, Bowie, Prince, AC/DC, Aerosmith… E de 1988 até hoje? Onde estão esses artistas fundamentais?”

Segundo ele, sucesso não é o mesmo que impacto cultural duradouro:

“Taylor Swift é gigantesca. Mas nenhuma banda se forma dizendo: ‘Vamos tocar 10 músicas da Taylor’. Em bares, o pessoal ainda toca ‘Free Bird’, ‘Satisfaction’. O que resistiu ao tempo.”

“Gangnam Style é açúcar”

Para fechar, Gene usou um exemplo direto:

“A música mais tocada de todos os tempos é ‘Gangnam Style’. Bilhões de plays. Isso muda alguma coisa? Não. É divertido. Como açúcar. Dá um pico e some.”

Kiss: fim com maquiagem, não da história

O Kiss encerrou oficialmente sua trajetória em 2023, ao menos no formato clássico com maquiagem. Em 2024, a banda voltou a se reunir para duas apresentações especiais, desta vez sem máscaras, provando que, mesmo aposentado do palco tradicional, Gene Simmons continua amplificado no modo máximo.