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Flea larga o peso do baixo e mergulha de cabeça no jazz em álbum solo

Antes de ser o cara que domina os palcos com o Red Hot Chili Peppers, Flea já era um garoto impactado pela música de um jeito quase espiritual. Foi ainda criança, vendo o padrasto tocar em casa, que ele sentiu aquele choque artístico que mistura alma, mente e corpo — e nunca mais saiu disso.

Seu primeiro instrumento? Trompete. E como se não bastasse, o pequeno Mike (seu nome de batismo é Michael Peter Balzary) ainda cruzou o caminho de ninguém menos que Dizzy Gillespie, lenda do jazz, que literalmente o abraçou. Spoiler da vida: o destino já estava escrito.

IBAGEM FLEA HONORA

Imagem: Reprodução

Novo álbum ‘Honora’: jazz, história e identidade no volume máximo

Agora, décadas depois e com status de ícone, Flea lança seu primeiro álbum solo totalmente voltado ao jazz, mostrando que ainda tem muita história pra contar — e som pra explorar.

O disco, batizado de “Honora”, chegou nesta sexta-feira (27) e marca uma fase mais introspectiva e artística do músico. E sim, o Brasil entrou na rota: São Paulo foi uma das cidades escolhidas para uma listening party mundial.

E já tem mais vindo aí: uma turnê internacional está programada para maio, passando por EUA, Canadá e Europa.

Um disco com DNA familiar e histórias pesadas

O nome “Honora” não é aleatório. É uma homenagem à trisavó de Flea, uma jovem irlandesa órfã que enfrentou a Grande Fome da Irlanda e foi enviada à Austrália no século XIX.

Já a capa traz outra conexão pessoal: a imagem é da sua sogra, Shahin Badiyan, em uma foto feita no Irã nos anos 60.

Ou seja: o álbum não é só som — é identidade, origem e memória.

Time de peso: do Chili Peppers ao Radiohead

O disco vem recheado de participações que fazem qualquer fã de música abrir um sorriso:

  • Chad Smith (RHCP) na bateria
  • John Frusciante na drum machine e trompete
  • Thom Yorke (Radiohead) no single “Traffic Lights”
  • Mauro Refosco, brasileiro e parceiro de longa data
  • Nick Cave, que assume os vocais em “Wichita Lineman”

E a lista segue com nomes como Chris Warren, Nathaniel Walcott e outros músicos de peso espalhados pelo projeto.

Som livre: instrumental, versões e mensagem direta

O álbum abre com “A Plea”, faixa em que o próprio Flea manda o recado — inclusive com crítica ao caos político atual, reforçando que “tudo além de amor é covardia”.

Boa parte do disco segue na vibe instrumental, explorando jazz, funk e improviso. Tem releitura de clássicos como “Maggot Brain” (Funkadelic) e também uma versão de “Thinkin’ Bout You”, de Frank Ocean.

É aquele tipo de álbum que não segue regra: vai do groove ao experimental sem pedir licença.

Final com assinatura total: liberdade no talo

O encerramento fica por conta de “Free As I Want To Be”, uma faixa que mistura funk, jazz e o estilo único de Flea, com direito a slaps de baixo e muita personalidade.

O próprio músico já admitiu que, às vezes, se sente inseguro — mas encontrou inspiração em Neil Young, que o incentivou a abraçar as imperfeições.

E é exatamente isso que ele faz aqui.

Resumo na pegada rock com alma jazz:
Flea volta às origens, abre o coração, mistura estilos e prova que ainda dá pra reinventar tudo — inclusive a si mesmo.