Antes de riffs tortos, letras afiadas e palcos incendiários, Daron Malakian já tinha levado um susto daqueles. Em conversa recente no podcast Tetragrammaton, comandado pelo produtor Rick Rubin, o guitarrista, vocalista e cérebro criativo do System of a Down relembrou a primeira vez que bateu o olho no KISS — e a experiência não foi nada tranquila.
Segundo Malakian, ele tinha apenas três ou quatro anos quando viu a banda pela primeira vez. E bastou a imagem para causar impacto. O visual exagerado, a maquiagem e, claro, Gene Simmons como The Demon, cuspindo fogo e sangue cenográfico, foram suficientes para marcar sua mente infantil para sempre.
“Me assustou pra caramba… mas eu fiquei obcecado”, contou o músico.

Imagem: Reprodução
Primeiro veio o susto, depois a obsessão
Daron explicou que, naquela época, ele sequer conhecia as músicas do KISS. A conexão foi totalmente visual — e imediata.
“A imagem de Gene Simmons como The Demon, cuspindo fogo, o sangue… isso era enorme para as crianças que cresceram com aquilo e depois começaram bandas. Foi enorme para mim. Eu nunca tinha ouvido uma música sequer. Só a imagem já me pegou. Talvez o KISS não fosse tão pesado quanto o Black Sabbath, mas o Black Sabbath não se parecia com o KISS.”
Segundo ele, enquanto o Black Sabbath soava mais sombrio, o KISS parecia um desenho animado maligno — e isso, para uma criança, era irresistível.
O “perigo” que fazia tudo parecer ainda mais legal
Malakian também falou sobre como, nos anos 80, muitas bandas eram rotuladas como “satânicas”, algo que só aumentava o fascínio entre crianças e adolescentes.
“As pessoas acusavam essas bandas de adorarem o diabo. E isso também me atraía quando eu tinha cinco anos. Parecia perigoso. Você ficava pensando: ‘Será que esse cara é assim o tempo todo?’”
Sem internet, sem redes sociais e sem bastidores escancarados, os músicos pareciam criaturas mitológicas.
“Na minha cabeça, o Ozzy não era deste planeta. Eu realmente acreditava nisso. Eles pareciam personagens de desenho animado… e eu ainda assistia desenhos naquela época.”
Capas proibidas, fitas cassete e o caminho alternativo
Daron também relembrou as estratégias para consumir música “pesada” sem causar problemas em casa. Ir à loja de discos com a mãe exigia jogo de cintura.
“Eu via aquelas capas do Iron Maiden, com o Eddie, tudo maligno… Eu queria comprar, mas sabia que minha mãe não deixaria. Então eu ia por algo mais seguro, tipo ‘Pyromania’, do Def Leppard. Só um prédio pegando fogo.”
Mas o verdadeiro ouro vinha por fora do sistema.
“Eu conseguia esses álbuns com um primo mais velho. Eles gravavam em fita cassete, sem capa. Até hoje lembro de ouvir ‘Holy Diver’, do Dio, sabendo que a capa tinha o diabo prendendo um padre.”
Rock raiz, literalmente clandestino.
KISS, estética e legado no rock pesado
O relato de Daron Malakian reforça algo que atravessa gerações: o impacto do visual no rock. Bandas como KISS, Iron Maiden, Black Sabbath e Dio não influenciaram só pelo som, mas pela estética, pelo teatro e pelo senso de mistério.
Esse combo ajudou a formar músicos, fãs e toda uma cultura que ainda ecoa no palco — inclusive no caos criativo do System of a Down.
Quem é Daron Malakian?
Nascido em 1975, em Los Angeles, Daron Malakian é guitarrista, vocalista e compositor do System of a Down, uma das bandas mais influentes do metal alternativo desde os anos 90. Além do System, ele também lidera o projeto Daron Malakian and Scars on Broadway, onde segue explorando riffs pesados, melodias tortas e ideias fora da curva.
No fim das contas, tudo começou com um susto. E virou história do rock.



