Parece que a estrada finalmente vai ganhar um pouco de silêncio. Brian May, guitarrista do Queen, afirmou que a banda não deve mais embarcar em grandes turnês.
Em entrevista ao jornal britânico The Times, repercutida pelo Far Out, o músico revelou que tomou a decisão há cerca de 18 meses. Aos 79 anos, May concluiu que já passou tempo suficiente vivendo entre aeroportos, hotéis, palcos e aquela clássica pergunta: “que cidade é essa mesmo?”.
Na prática, a decisão encerra o ciclo de grandes turnês realizadas por Brian May e Roger Taylor ao lado do cantor Adam Lambert, parceria que começou em 2011.
A última excursão foi a Rhapsody Tour, encerrada em 14 de fevereiro de 2024, no Tokyo Dome, no Japão.
E tem um detalhe que pode doer nos fãs brasileiros: a última passagem do Queen pelo Brasil pode ter acontecido em 2015, quando a banda realizou três apresentações no país, passando por São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, incluindo uma participação no Rock in Rio daquele ano.

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O momento em que Brian May decidiu parar
A decisão de May não aconteceu simplesmente porque ele cansou de tocar guitarra.
O ponto de virada veio durante uma passagem da banda pelos Estados Unidos, quando um amigo próximo da família morreu.
O guitarrista contou que avisou a gerente da turnê que precisaria voltar para casa por alguns dias e depois retornaria aos compromissos. A resposta dela foi praticamente um choque de realidade: ele sabia que, na prática, aquilo não seria tão simples.
Foi então que May começou a pensar no verdadeiro preço de uma vida inteira na estrada.
Segundo o músico, ele continua adorando tocar e viajar, mas existe uma contrapartida pesada: abrir mão da própria liberdade e ficar longe da família durante longos períodos.
E, depois de meio século fazendo isso, parece que a conta chegou.
“Eu tenho uma esposa [a atriz Anita Dobson], netos e muita astrofísica que quero fazer, então fico pensando que talvez 50 anos sejam suficientes.”
Sim, além de guitarrista de uma das maiores bandas da história, Brian May também é astrofísico. Então, aparentemente, o sujeito quer trocar um pouco de “We Will Rock You” por estrelas, galáxias e outras coisas que não exigem passagem de som às quatro da tarde.
O fim da estrada já estava sendo desenhado
A declaração não surgiu completamente do nada.
Em setembro de 2025, durante entrevista à Rolling Stone, May já havia admitido que uma parte dele considerava que tinha feito o suficiente depois de cinco décadas de turnês.
Naquele momento, porém, o guitarrista ainda demonstrava vontade de continuar fazendo shows.
Agora, a posição parece muito mais definitiva.
Isso deixa uma pergunta inevitável para os fãs brasileiros: será que ainda existe espaço para uma última despedida do Queen no Brasil?
Por enquanto, não há indicação de uma nova turnê.
Queen holográfico? A ideia quase saiu do papel
Se a estrada tradicional parece ter chegado ao fim, Brian May chegou a considerar uma alternativa bem mais futurista.
O guitarrista revelou que ficou bastante empolgado com a possibilidade de criar um show do Queen com hologramas, inspirado no espetáculo ABBA Voyage.
A ideia, porém, acabou esbarrando em um problema que hoje aparece em praticamente toda conversa sobre tecnologia: inteligência artificial.
May contou que passou bastante tempo planejando como poderia funcionar um espetáculo desse tipo, mas acabou desistindo.
“Eu passei muito tempo planejando o que pensei que poderia ser um show do Queen. Eu meio que desisti agora porque não dá para fazer isso sem um uso gigantesco de IA, e todas as consequências disso.”
E, considerando a posição de May sobre o assunto, não é exatamente uma surpresa.
Brian May x inteligência artificial: essa treta ainda vai longe
O guitarrista tem sido um crítico bastante ativo do avanço da IA, inclusive levando suas preocupações para o debate político no Reino Unido.
May já direcionou críticas ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, pedindo que ele impedisse a construção de data centers no país.
Ou seja: se depender de Brian May, o futuro do Queen pode até ter guitarra, holograma e tecnologia — mas a inteligência artificial vai precisar passar por uma entrevista de emprego bem complicada antes de entrar na banda.
Depois de 50 anos de estrada, o guitarrista parece ter encontrado uma nova prioridade: menos aeroporto, menos hotel, mais família e mais astrofísica.
E, convenhamos, depois de uma carreira desse tamanho, ninguém pode dizer que Brian May não fez sua parte para manter o rock vivo.




